terça-feira, 12 de novembro de 2013

Reunião discute novas estratégias de comunicação para tuberculose

Desconstruir mitos e preconceitos estão entre as estratégias discutidas para a nova campanha do Programa Nacional de Controle da Tuberculose

Do Ministério da Saúde

Estudo encomendado pelo Fundo Global Tuberculose Brasil (FGTB) revela que 50% das pessoas não sabem que a tuberculose ainda existe. Isso demonstra que, apesar de ser uma doença antiga e priorizada pelo Ministério da Saúde, a falta de informação ainda é um dos principais desafios enfrentados para o controle da doença.

Dar visibilidade, aumentar o conhecimento da população e dos profissionais de saúde e reduzir o estigma e o preconceito sobre os pacientes são as principais linhas de trabalho para a construção da nova campanha, discutida na última sexta-feira, 8 de novembro, pelo Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT) do Ministério da Saúde.

Participaram da reunião gestores da saúde, profissionais de comunicação do Ministério da Saúde e da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), e representantes do Fundo Global, de ONGs, de entidades da sociedade civil que trabalham com saúde pública e da comunidade acadêmica.

Devido aos estigmas, parte da sociedade considera a tuberculose como uma doença do passado, mas ela continua presente nos dias atuais. Em 2012, foram registrados 70 mil casos novos de tuberculose e 4.563 óbitos.

Desde o início de 2013 o PNCT analisa informações epidemiológicas e resultados de pesquisas e discute internamente a eficácia das campanhas publicitárias de tuberculose. Uma consultoria externa foi contratada para avaliar as campanhas realizadas ao longo dos anos. Além disso, uma dissertação de mestrado demonstrou o predomínio do estímulo à detecção de casos como tema das campanhas.

 “Após a publicação da dissertação de mestrado de um ativista do movimento social da tuberculose e a sugestão do Dr. Jarbas para ouvirmos a sociedade civil para subsidiar novas campanhas, o PNCT decidiu articular com os parceiros de diferentes seguimentos da luta contra a tuberculose, durante todo o ano de 2013, e os resultados desse trabalho serão apresentados hoje.”, revelou o coordenador do Programa Nacional de Controle da Tuberculose, Dr. Draurio Barreira.

Além de discutir a criação de um novo foco para as campanhas publicitárias, o encontro também debateu a implementação de uma política de comunicação permanente, que dê mais visibilidade à tuberculose durante o ano, não somente no Dia Mundial de Luta contra a Tuberculose, em 24 de março. “Também pretendemos realizar campanhas específicas para populações vulneráveis e profissionais de saúde”, reforçou Dr. Draurio.

Durante a manhã foram discutidas possíveis linhas de trabalho e público-alvo para as novas campanhas. No período da tarde o grupo pactuou proposta para campanha publicitária para o ano de 2014, a ser avaliada pela Comunicação do Ministério da Saúde.

Participação especial – O Programa Nacional de Controle da Tuberculose foi convidado a participar da elaboração da nova estratégia global de controle da tuberculose. “Faremos a articulação com outros países interessados. As metas são ousadas, como, por exemplo, a proposta de universalizar o acesso aos serviços de saúde e a proteção social aos pacientes com tuberculose e ainda a redução de casos de tuberculose, em 90% até 2035”, explicou Dr. Draurio Barreira.

O coordenador acredita que a mensagem implementada na estratégia global deve ser a realidade atual da tuberculose no Brasil, destacando assuntos como os novos tratamentos e o diagnóstico rápido.

O que é a tuberculose – A tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível, causada pelo Mycobacterium tuberculosis, que afeta prioritariamente os pulmões, embora possa acometer outros órgãos e sistemas. A apresentação pulmonar, além de ser mais frequente, é também a mais relevante para a saúde pública, pois é a principal responsável pela transmissão da doença. A tuberculose pode ser causada por qualquer uma das sete espécies que integram o complexo Mycobacterium tuberculosis: M. tuberculosis, M. bovis, M. africanum, M. canetti, M. microti, M. pinnipedi e M. caprae. Entretanto, do ponto de vista sanitário, a espécie mais importante é a M. tuberculosis. A transmissão ocorre por meio da inalação de aerossóis. Ao falar, espirrar e, principalmente, ao tossir, as pessoas com tuberculose ativa lançam no ar partículas em forma de aerossóis que contêm bacilos, sendo denominadas de bacilíferas. Embora, o risco de adoecimento seja maior nos primeiros dois anos após a primeira infecção, uma vez infectada a pessoa pode adoecer em qualquer momento de sua vida.

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