sexta-feira, 12 de fevereiro de 2016

Pesquisadores brasileiros e chineses se encontram para debater a tuberculose


Rio de Janeiro, 11 de dezembro de 2015 – Chineses e brasileiros se encontraram no dia 9 de dezembro de 2015 para a realização do workshop “Avançando a Estratégia End TB”. O encontro foi realizado no auditório Arthur Neiva, do Instituto Oswaldo Cruz, no Rio de Janeiro. Participaram do evento profissionais de saúde, pesquisadores e gestores dos programas de tuberculose de ambos os países.

A oficina foi promovida pela Rede Brasileira de Pesquisa em Tuberculose – a Rede TB, pela vice-Presidência de Pesquisa da Fundação Oswaldo Cruz e pelo Programa Nacional de Controle de Tuberculose do Ministério da Saúde. A Rede TB é um grupo multiprofissional, com cerca de 300 pesquisadores, pertencentes a 60 instituições brasileiras, atua como um fórum permanente de interlocução para a identificação de problemas e oportunidades para o controle da tuberculose, com foco em ações e estratégias em ciência, tecnologia e inovação e mobilização social.

Durante a oficina, foram apresentados os programas nacionais de controle da tuberculose dos dois países, com destaque para as dificuldades e potencialidades de cada local. Também foram definidas as principais necessidades em termos de pesquisa e de ações para o controle mais efetivo da TB.
Ao final, os participantes se dividiram em grupos para listar as principais necessidades e possíveis soluções e processos de cooperação mútua.

Grupo 1

Um grupo ficou com o tema da ciência translacional, que é aquela que pretende agilizar a transferência de resultados da pesquisa básica/fundamental para pesquisas clínicas. O grupo discutiu sobre diagnósticos, biomarcadores, detecção da TB latente, tratamento de TB ativa e terapias de prevenção.

Os temas em destaque foram:

- Em razão da escassez global do PPD Rt23 produzido pelo Serum Institut da Dinamarca, recentemente, China e Rússia desenvolveram PPD recombinante que estão sendo validados. O Brasil também está em fase de produção e validação de PPD recombinante.  

- Novos diagnósticos para detecção rápida: a China desenvolveu um sistema de PCR (sigla em inglês para reação em cadeia de polimerase – que amplifica e detecta o DNA da bactéria, o que agiliza o diagnóstico); uma segunda geração deverá detectar TB multirresistente (MDR) e TB extensivamente resistente (XDR). Alguns protótipos para diagnóstico molecular estão sendo desenvolvidos no Brasil (Fiocruz/IBMP).

- A China tem um ensaio em desenvolvimento com o uso de gamma-interferon para a detecção de TB latente, que está sob avaliação. O Brasil tem esforços semelhantes.

- A China também prevê uma vacina contra a tuberculose, que ainda está em fase de desenvolvimento.

A China desenvolveu um novo fármaco chamado pheromonicin, com bons resultados em estudos pré-clínicos (in vivo e in vitro). No Brasil, a PUC-RS /Rede TB tem desenvolvido novos fármacos (também com bons resultados pré-clínicos) e Farmanguinhos -Fiocruz tem produzido novas formulações de medicamentos anti-TB.

Considerou-se prioritário o fortalecimento de Centros de Pesquisa Pré-clínica, Clínica entre Brasil e China para analisar os fármacos, vacinas e kits diagnósticos produzidos.

Grupo 2

O segundo grupo discutiu sobre Epidemiologia, Impacto da Incorporação de Novas Tecnologias (Implementation Science), Pesquisa Operacional e Pesquisa dos Sistemas de Saúde. As ações foram elencadas de acordo com as seguintes prioridades:

- Objetivo principal da China: reduzir a taxa de incidência de TB;

- Objetivo principal do Brasil: aumentar a taxa de cura;

- Populações prioritárias: pessoas que vivem com HIV, com diabetes e pessoas privadas de liberdade (ambos os países), idosos e migrantes internos (China); pessoas em situação de rua, indígenas e que fazem uso abusivo de drogas (Brasil).

Os temas em destaque foram:

- Manejo da TB no nível da comunidade – identificar a melhor abordagem para o diagnóstico e tratamento efetivo da TB ativa e TB latente – intercâmbio de experiências entre Brasil e China.

- Desenvolvimento de indicadores que analisem o impacto clínico e econômico da incorporação de novas tecnologias

- Estudos conjuntos de modelagem e custo efetividade de intervenções regionais ou nacionais (i.e.: Cash transfer )

- Desenvolver Sistema Nacional de Notificação de TB latente acoplado a protocolos comuns que aumentem a performance da identificação de TB latente e seu tratamento efetivo

Considerou-se prioritário o fortalecimento de Unidades de Saúde que participem na avaliação do Impacto de Novas Tecnologias bem como de Pesquisas Operacionais.

Conclusões

O encontro deixou uma impressão positiva entre os participantes, que pretendem retomar as possibilidades de cooperação ao longo de 2016.

“Esse tipo de encontro é fundamental se quisermos avançar na estratégia de eliminação da tuberculose como um problema de saúde pública. Aumentar os esforços na área de pesquisa é um componente básico para a estratégia, e a cooperação internacional pode agilizar muito esse processo”, explicam Afrânio Kritski e Wim Degrave, respectivamente, diretor da Rede TB e professor titular em tisiologia e pneumologia da Universidade Federal do Rio de Janeiro, e coordenador do Planejamento Estratégico da Vice-presidência da Fiocruz .

Afrânio e Wim Degrave destacam ainda que mais encontros como esses serão realizados em breve.
Foi consenso de que Brasil e China devem reunir esforços, juntamente com Parlamentares de seus países, para desenvolver um Plano Estratégico em Ciência Tecnologia e Inovação, visando a obtenção de financiamento específicos para Tuberculose e outras Doenças Negligenciadas, promovendo atividades conjuntas dos BRICS na Estratégia END-TB (2016-2035) e no Plano Global Stop TB Partnership (20162020), transferência de tecnologias e validação mútua de novos produtos e/ou tecnologias no Sistema de Saúde.

Sobre a Estratégia End TB

A estratégia End TB foi formulada por diversos países no âmbito da Organização Mundial da Saúde (OMS) e do Plano Global do Stop TB Partnership (2016-2020). A estratégia é dividida em três pilares e tem metas ambiciosas para a eliminação da tuberculose no mundo até 2035: redução de mortes por tuberculose em 95% e menos de 10 casos por 100 mil habitantes.

Pilar 1 – Prevenção e cuidado integrado com o paciente – diagnóstico, busca ativa entre populações vulneráveis, tratamento de todos os casos de TB, manejo de coinfecção, etc.

Pilar 2 – Políticas incisivas e sistemas de apoio – comprometimento político, alocação adequada de recursos, envolvimento comunitário, organizações da sociedade civil, cobertura universal em saúde, proteção social, redução da pobreza, etc.

Pilar 3 – Intensificação da pesquisa e inovação – descoberta, desenvolvimento e rápida absorção de novas ferramentas, pesquisa para otimizar a implantação e impacto das ações, etc.

Clique nos links a seguir para mais informações sobre a Estratégia End TB, sobre o Plano Global do Stop TB Partnership (em inglês) e sobre a Agenda Nacionalde Pesquisa elaborada em junho de 2015 pela Rede TB, Fiocruz e PNCT-SVS-MS.



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