quinta-feira, 13 de julho de 2017

Interdisciplinaridade marca VI Workshop Nacional da Rede TB

Fonte: REDE-TB



Pesquisadores brasileiros, estrangeiros, estudantes de graduação e pós-graduação, profissionais das áreas da saúde, ativistas, representantes de indústria e outras de interesses afins participaram do VI Workshop Nacional da Rede TB, ocorrido no dias 22 e 23 de junho, no Rio de Janeiro (RJ).

Os principais temas relacionados à pesquisa e inovação, diagnóstico, tratamento e controle da tuberculose nos seus mais variados aspectos foram contemplados nas cerca de 50 palestras realizadas por meio de conferências e mesas redondas, resultando em importantes discussões e troca de conhecimentos entre os participantes.

O presidente da Rede TB, Afrânio Kritski, destacou que, desde a criação da Rede em 2001, a interdisciplinaridade caracteriza os encontros do grupo, mas nas últimas edições houve um refinamento nesse sentido. “Hoje, quem participa da Rede são pesquisadores que aprenderam a ouvir os outros olhares… a nossa proposta prioritária é um trabalho interdisciplinar e intersetorial. A Rede abarca desde a pesquisa básica, identificação de moléculas para novos fármacos ou vacinas ou testes diagnósticos, até estudos sociológicos, antropológicos ou econômicos. Você acompanha o biologista molecular falando de DNA e ouvindo palestras sobre estudos qualitativos, enquanto que enfermeiros, psicólogos participam de discussões sobre novos fármacos. Isso é muito novo. Eu desconheço reuniões assim em outras áreas no Brasil”, explica.

Um panorama da situação e dos desafios atuais da pesquisa em tuberculose no Brasil foi apresentado nas conferências proferidas, respectivamente, pela coordenadora geral do Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT) do Ministério da Saúde, Denise Arakaki; e pela coordenadora geral do Programa de Pesquisa em Saúde do Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), agência do Ministério da Ciência, Tecnologia, Inovações e Comunicações, Raquel de Andrade Lima Coelho.

Na terceira conferência do evento, o economista da Fundação Oswaldo Cruz (Fiocruz), Fábio Mota, apresentou um mapeamento da produção científica e das patentes em TB dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia e China) feito a partir de análise bibliométrica e de redes de colaborações, que pode contribuir para a identificação de trabalhos conjuntos já realizados e pautas comuns para futuras cooperações entre os países.

Mesas Redondas

Se o cenário geral das pesquisas em tuberculose foi colocado nas conferências, as especificidades do tema puderam ser expostas e discutidas por meio das 12 mesas redondas organizadas nos seguintes tópicos: 1) “Estudos de Epidemiologia Molecular”, 2) “Uso do Xpert MTB Rif na Detecção de TB MDR no País”, 3) “Novas Tecnologias para Medicamentos Resistentes e Genótipos em TB”, 4) “Biomarcadores e Imunopatogenia”, 5) “Epidemiologia - TB em Populações Vulneráveis e Proteção Social”, 6) “Engajamento Comunitário em Pesquisa e a Rede TB”, 7) “TB MDR”, 8) “TB, TB Latente e Co-morbidades”, 9) “TB e Co-morbidades”, 10) “Uso de Sistema de Informação para Pesquisa Clínica e Operacional”, 11) “Sistema de Gestão de Qualidade em Pesquisa”, 12) “Pesquisa Qualitativa na Área de Tuberculose”.

Na primeira mesa redonda, foram apresentados os resultados de estudos sobre métodos moleculares utilizados na genotipagem e identificação de mutações genéticas; sobre o fenômeno da resistência nos cenários de infecção mista e de heteroresistência; a dinâmica de virulência em ambientes urbanos do Espírito Santo, e a diversidade genética e o rastreamento da tuberculose nos países de língua portuguesa.

Na segunda, houve a exposição de lições aprendidas com a Rede de Teste Rápido, o Xpert MBT/RIF implantada pelo Ministério da Saúde desde 2014i; e de análises do uso deste teste molecular com os métodos fenotípicos usados no diagnóstico de tuberculose resistente realizadas no Instituto Adolfo Luiz em São Paulo e no Laboratório Nacional de Referência Professor Helio Fraga.

Uma terceira mesa trouxe informações sobre o uso de uma plataforma portátil de qPCR; a validação laboratorial de um projeto de PCR de tempo real, kit produzido por empresa nacional; a validação e os custos de um kit SIRE Nitratase, teste fenotípico para diagnóstico de TB MDR, também desenvolvido por empresa nacional; a variabilidade genética do bacilo da TB no Rio Grande do Sul e a diversidade molecular e distribuição espacial da doença em Salvador.

A quarta mesa redonda consistiu de apresentações sobre a caracterização de biomarcadores para TB ativa e TB latente; a resposta neutrofílica na hiperinflamação em pacientes com tuberculose pulmonar; a relação entre virulência e imunopatogenicidade em modelo animal de infecção experimental; a relação entre tuberculose e depressão e também anemia; e o uso de biomarcadores de infecção por M.tuberculosis na resposta ao tratamento de crianças e adolescentes.

A mesa cinco abarcou novas abordagens para pesquisas e proteção social; uma visão geral da relação entre tuberculose e depressão; o cenário da tuberculose em prisões no Mato Grosso do Sul; e características da TB em Roraima.

Na sexta mesa redonda, a discussão girou em torno do ativismo como estratégia de incidência política no contexto das pesquisas; e do papel da sociedade civil junto às populações vulneráveis e no acompanhamento comunitário em pesquisa.

A mesa sete reuniu os estudos sobre o uso de escore clínico para diagnóstico de TB multirresistente (MDR); o impacto do mecanismo de efluxo na resistência aos antimicrobianos no M. tuberculosis e outras micobactérias; uma abordagem quanti/quali do TB MDR no Rio de Janeiro e em Lisboa; e perspectivas de esquemas encurtados para TB MDR no Brasil.

Na oitava mesa foram destaques: a depressão entre sintomáticos respiratórios e pacientes com TB em Caxias; a interação entre drogas no contexto TB/HIV no Brasil; e resultados preliminares de pesquisas translacional e clínica em TB, desnutrição e imunopatogenia.

A mesa número nove abordou a experiência do Pactu Pela Rua realizada em São Paulo; as ações de controle da TB no consultório de rua no município do Rio de Janeiro; e o uso de escore clínico para liberação de pacientes do isolamento respiratório nos hospitais.

A dez trouxe o tema das tecnologias em TB em trabalhos sobre o uso de formulários eletrônicos para atividades de pesquisa operacional; tecnologias móveis aplicadas ao tratamento diretamente observado (TDO); e integração de sistemas de informação para o gerenciamento de pacientes em TB.

Na discussão da mesa 11, o tema da gestão foi trazido nas palestras sobre gestão da qualidade em instituição de Ciência e Tecnologia (C&T) em Saúde; segurança no sistema de gestão de qualidade para laboratórios de diagnóstico de TB resistente; e interfaces das gestões de conhecimento e de qualidade.

Finalizando a ampla gama de temas abordados no VI Workshop, a mesa redonda 12 reuniu pesquisas sobre o processo de incorporação tecnológica no SUS; o acesso e barreiras no tratamento de TB no consultório de rua; discurso, práticas de significação e acontecimento na política de saúde em tuberculose; e os significados do cuidado para os contatos do paciente com tuberculose pulmonar e a interrelação com o profissional da saúde.

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