terça-feira, 10 de maio de 2016

Fórum ONGs Tuberculose do Rio de Janeiro realiza reunião ordinária com foco na adesão ao tratamento

 *Imagens: Carlos Basília

Rio de Janeiro, 05 de maio de 2016 – Em reunião ordinária do Fórum ONGs Tuberculose RJ, ativistas, profissionais de saúde, acadêmicos e gestores discutiram sobre o ativismo em tempos de crise, apresentaram o programa Sala de Convidados do Canal Saúde da Fiocruz, com foco específico sobre a tuberculose e determinantes sociais, discutiram a pesquisa qualitativa com a abordagem “Qualidade do programa de controle da Tuberculose: Análise quali-quanti do acesso, abandono ao tratamento e dos serviços de saúde do município do Rio de Janeiro”, entre outros informes.

A pesquisa apresentada foi realizada por César Augusto Paro e Luiza Lena, sob a orientação do professor Veriano Terto, do Instituto de Estudos em Saúde Coletiva (IESC) da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ). As informações levantadas na pesquisa apontam para os diversos fatores de abandono do tratamento. A pesquisa avaliou experiências inovadoras (que vão além do tratamento diretamente observado – TDO) para a adesão ao tratamento, destacando a importância de se aproveitar o saber da comunidade, além da questão do altruísmo e do espírito de doação dos profissionais que atuam diretamente na criação do vínculo com o paciente.

Destacaram também que a formação dos profissionais de saúde e até da gestão é ainda muito “dura” e, em geral, se enxerga somente o problema clínico e não as questões sociais em que o paciente está inserido.

Para Carlos Basília, coordenador do Observatório Tuberculose Brasil e Secretário Executivo da Parceria Brasileira contra a Tuberculose, as dificuldades de adesão ao tratamento estão ligadas ao estigma que a doença ainda carrega. “A tuberculose ainda é tema de um preconceito que influencia a questão da adesão. Uma das formas de minimizar o estigma é por meio da informação. A doença ainda é um assunto negligenciado nas diversas esferas, como a mídia, governo, etc. As discussões sobre o estigma devem estar inseridas nas campanhas de tuberculose de todos os níveis”, destacou Basília. Ele lembra ainda que este é o maior desafio que o País enfrenta hoje para o controle da doença já que tem impacto direto nos indicadores de cura e mortalidade.

Quando se falou sobre o Ativismo em tempos de crise, as reações não foram muito otimistas já que o efeito dominó provocado pela falta generalizada de recursos traz consequências para todas as áreas da sociedade. No caso do enfrentamento de doenças como a tuberculose, há fatores que extrapolam a gestão da saúde, como, por exemplo, a questão da nutrição. O anúncio do fechamento de restaurantes populares traz uma preocupação a mais para os ativistas que trabalham na luta contra a TB.
Ainda se discutiu como os movimentos sociais podem incidir de maneira mais eficaz nas esferas municipal, estadual e federal de governo, para influenciar nas tomadas de decisão em relação à tuberculose.

Para a coordenadora do programa de tuberculose do município de Itaboraí, Maria José Fernandes Pereira (a Zezé), apesar de todas as dificuldades, não se pode desistir. “Esta não é a primeira, nem será a última crise que enfrentaremos. Temos que nos reinventar e ter muita resiliência. É importante que busquemos energia para fazer tudo o que estiver ao nosso alcance nessa luta”, explicou Zezé.

O Dr Claudio Costa Neto, autor do livro “Tuberculose e Miséria” e diretor-presidente do Instituto Vila Rosário, concordou com Zezé e destacou que a sociedade consegue se organizar e fazer muitas coisas sem depender do estado, principalmente em tempos de crise. “A comunidade tem condições de implementar ações e desenvolver atividades de auto-cuidado. Se esperarmos apenas as ações do estado, não conseguiremos suprir as necessidades de cada uma das comunidades, especialmente as mais carentes”, complementou o professor emérito do Instituto de Química da UFRJ, responsável pelo trabalho de controle da tuberculose na comunidade de Vila Rosário em Duque de Caxias, no Rio de Janeiro.

O encontro, realizado no auditório da Federação dos Bandeirantes do Brasil, no centro do Rio, reuniu cerca de 20 pessoas e contou com a representação do Programa Nacional de Controle da Tuberculose, com a presença da técnica Luciana Nemeth.


Com a participação de Carlos Basília, Roberto Pereira e Jorge Pio, coordenador do programa de tuberculose do município do Rio de Janeiro.

Agenda da reunião

1. Recepção dos Participantes;
2. Ativismo em tempos de crise - Avaliação da atual conjuntura e propostas de ação;
3. Devolutiva da abordagem qualitativa da pesquisa "QUALIDADE DO PROGRAMA DE CONTROLE DA TUBERCULOSE: ANÁLISE QUALI-QUANTI DO ACESSO, ABANDONO AO TRATAMENTO E DOS SERVIÇOS DE SAÚDE DO MUNICÍPIO DO RIO DE JANEIRO" - César Augusto Paro - IESC/UFRJ;
4. Considerações sobre a apresentação do Fórum na Plenária do Conselho Municipal de Saúde RJ;
5. Informes sobre a Reunião com o Secretario Estadual de Saúde RJ e retomada das ações previstas no Plano de Estratégico TB/HIV;
6. Participação no Programa SALA DE CONVIDADOS - Canal Saúde/FIOCRUZ;
7. Assuntos Gerais



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