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quarta-feira, 30 de abril de 2014

Comitê para o Controle Social da Tuberculose realiza oficina sobre direitos humanos e participação social Florianópolis

Da SES/SC

O Comitê para o Controle Social da Tuberculose em Santa Catarina realizou, nos dias 28 e 29 de abril, uma oficina com o tema “Direitos Humanos, participação social e tuberculose”, no Hotel São Sebastião, em Florianópolis. Membros do comitê, gestores de programas municipais e regionais relacionados à doença participaram do encontro.

A coordenadora no Estado do Programa de Controle da Tuberculose, Nardele Juncks, destaca a importância do evento.  “Esta oficina é para capacitar os profissionais e melhorar a rede de atenção social aos pacientes”, afirma Nardele.

A oficina foi ministrada pelos consultores técnicos Lucas Seara e José Carlos Veloso do Programa Nacional de Controle da Tuberculose. O consultor Lucas Seara explica que a oficina irá ajudar a capacitar os profissionais de saúde a lidar com as implicações sociais da tuberculose. “A doença, muitas vezes, está associada à pobreza. Os doentes não têm acesso a determinados direitos, como moradia e alimentação. Essas não são obrigações do profissional de saúde, mas ele pode aprender a articular essas carências e conseguir resultados”, ressalta Seara.

O consultor do Ministério da Saúde elogiou a iniciativa do Estado, e disse que o Comitê para o Controle da Tuberculose em Santa Catarina já nasce com discussões maduras. Por meio de uma parceria entre o Governo do Estado e a sociedade civil, o Comitê está em fase de implantação. O objetivo do comitê é integrar e contribuir para as políticas públicas voltadas ao controle da tuberculose no Estado, principalmente para as populações mais atingidas pela doença, como pessoas com coinfecção tuberculose/HIV/aids, indígenas, pessoas em situação de rua e as privadas de liberdade.


Perfil da tuberculose em Santa Catarina:


  • São 1.800 casos novos por ano;
  • 25% tem relação com o uso de drogas;
  • 20% tem associação com HIV/aids;
  • 13% tem associação com alcoolismo;
  • 5 a 6% tem associação com diabetes.


O que é tuberculose

A tuberculose é uma doença infectocontagiosa. Causa lesão principalmente nos pulmões. A transmissão se dá por via respiratória, por meio da tosse, fala e espirro. É causada por um microrganismo conhecido como bacilo de Koch (Mycobacterium tuberculosis). O diagnóstico consiste no exame do escarro para identificação do bacilo da tuberculose, podendo ser realizado em todas as unidades de saúde.

Um terço da população mundial está infectado pelo bacilo, mas apenas pessoas com a imunidade debilitada desenvolvem a doença. Portadores de HIV/aids, diabéticos, usuários de drogas (tabaco, drogas ilícitas e álcool), população carcerária, indígenas e moradores de rua são os mais vulneráveis. A doença é transmitida apenas pelo doente sem tratamento, que pode infectar de 10 a 15 pessoas no período de um ano.

Principais sintomas:

  • Tosse por mais de três semanas, acompanhada ou não de catarro;
  • Febre baixa, geralmente no período da tarde;
  • Suor noturno;
  • Falta de apetite;
  • Perda de peso;
  • Cansaço ou dor no peito.

quarta-feira, 7 de agosto de 2013

Reunião de coordenadores marca 10 anos de priorização da luta contra a tuberculose

Nos dias 6 e 7 de agosto, foi realizada em Brasília a Reunião de coordenadores de programas estaduais e municipais de controle da tuberculose. Além de promover a troca de experiências, a reunião busca analisar o atual cenário da tuberculose no país para repensar estratégias, buscando soluções mais eficazes para o controle da doença. Participaram coordenadores dos 27 estados e dos 181 municípios prioritários. 

Neste ano, comemora-se 10 anos de priorização da luta contra a tuberculose no Brasil. Segundo o coordenador do Programa Nacional de Controle da Tuberculose, Draurio Barreira, os indicadores em geral são favoráveis, mas alguns deles ainda estão aquém daquilo que é recomendado pela Organização Mundial da Saúde (OMS). 

“Há grande diferença entre os estados e municípios brasileiros. Há estado que já entrou em fase de pré-eliminação da tuberculose como é o caso do Tocantins, com uma incidência de 13 casos por 100 mil habitantes. No entanto, há estados que possuem incidência bem acima da média nacional”, explicou.

Com uma incidência de 37 casos por 100 mil habitantes, no Brasil foram notificados 70 mil casos de tuberculose em 2012. Os estados de maior incidência são Amazonas e Rio de Janeiro com 67,3 casos por 100 mil habitantes. E os estados com menor incidência são Tocantins e Distrito Federal com 13, 5 casos por 100 mil habitantes. No momento, Cuiabá é a capital com maior incidência de TB com 100 casos por 100 mil habitantes. Palmas possui a menor taxa com 9,5 casos por 100 mil habitantes.

A OMS divulgou, em 2012, que o Brasil alcançou a meta de reduzir pela metade a taxa de mortalidade por TB quando comparada a 1990. Em 2011, o número de óbitos foi cerca de 4.600, o que corresponde a 2,4 óbitos por 100 mil habitantes. Ainda assim, o país ainda não atingiu as metas de cura e de redução do abandono preconizadas pela OMS.

Atualmente, o Brasil cura 75,4% dos casos de tuberculose, quando o recomendado pela OMS é de 85%. Quanto ao abandono do tratamento, o país tem um índice de 10%, quando o recomendado pela OMS é de 5%.

Segundo a nova classificação da OMS para a epidemia de tuberculose, o Brasil não possui mais uma epidemia generalizada, mas uma epidemia concentrada em algumas populações como as pessoas que vivem em situação de rua, os privados de liberdade, a população indígena e aqueles que vivem com HIV. 

Por isso, Draurio destacou a necessidade de se pensar em estratégias especificas para essas populações. Para ele as articulações intersetoriais são fundamentais para garantir os direitos das pessoas com tuberculose e contribuir com a adesão ao tratamento, a partir do recebimento de benefícios sociais e acesso a programas já existentes, diminuindo a taxa de abandono e conseqüentemente a incidência das manifestações multirresistentes. 

"No Brasil, temos avançado na luta contra os determinantes sociais da tuberculose. Muitos estados e municípios já oferecem algum tipo de suporte social durante o tratamento da doença, como ticket alimentação e vale transporte", explicou.

Dentre os avanços pontuados pelo coordenador cabe destacar a criação da frente parlamentar de luta contra a tuberculose que por sua vez instalou uma subcomissão especial de doenças relacionadas à pobreza no Congresso Nacional. Com relação à discussão da nova estratégia global de tuberculose pós 2015, o Brasil tem sido um dos mais ativos protagonistas, sendo escolhido o proponente da nova estratégia na Assembléia Mundial de Saúde, em maio de 2014.

Coinfecção TB-HIV

A tuberculose é a 4ª causa de morte por doenças infecciosas no país e a 1ª causa de morte infecciosa identificada em pessoas que vivem com HIV. Por essa razão, os programas se articularam para encaixar as programações de suas respectivas reuniões e promover a integração entre os coordenadores dos dois programas para pensar estratégias mais eficazes de controle da coinfecção TB-HIV.

Segundo dados da Organização Mundial de Saúde, as pessoas que vivem com HIV estão de 21 a 34 vezes mais vulneráveis à tuberculose do que a população geral. Atualmente, a taxa de coinfecção no país é de 9,9%, com letalidade de 6%, três vezes maior do que a da população geral.

Segundo o ativista e secretario executivo da Parceria Brasileira contra a tuberculose, Jair Brandão, o diálogo e as críticas propositivas e construtivas são fundamentais para se buscar a melhoria desses indicadores. “Para mim, estamos vivendo um momento histórico nesta reunião, ao conseguir reunir coordenadores de tuberculose e dos programas de aids. A luta contra a AIDS e a tuberculose não terá êxito enquanto for solitária, desarticulada nos serviços e desvinculada da sociedade”.

Jair destacou a importância das organizações da sociedade civil no combate ao estigma e preconceito, bem como apoio à adesão ao tratamento da tuberculose que ainda é muito prolongado, durando no mínimo seis meses.

“Não basta articular apenas com o setor saúde. Essas doenças vão muito além da saúde, elas envolvem questões sociais, estigma, preconceito, violação de direitos humanos. Precisamos fortalecer a parceria com a Assistência Social e com a Justiça para se ter êxito na adesão, na cura e na promoção dos direitos humanos em saúde”.

De acordo com o secretário de vigilância em saúde do Ministério da Saúde, Jarbas Barbosa, os problemas de saúde estão sempre se transformando e isto demanda novas respostas para uma doença secular como a tuberculose. 

“Precisamos acompanhar essas mudanças. Algumas estratégias usadas há dez anos talvez já não tenham mais eficácia. Precisamos de pessoas inquietas, articuladoras. Fugir das ações programáticas tradicionais e pensar em respostas inovadoras. O Ministério da Saúde está disposto a apoiar ações inovadoras e estratégias de impacto para a resposta brasileira à tuberculose”.

Para o secretário a melhoria dos índices só será possível se os programas buscarem parceiros e atuarem de forma intra e intersetoriais.

“Com mobilização e vontade política é possível fazer ações efetivas de diagnóstico e quebra da cadeia de transmissão em curto espaço de tempo. Nós podemos fazer mais. Curar mais. Diagnosticar precocemente. Tratar a infecção latente da tuberculose. O nosso trabalho no nível federal não é nada sem a atuação de vocês, coordenadores de estados e municípios prioritários. Articulem. Inovem. Incluam a sociedade civil no processo. Assim, só temos a ganhar”, finalizou.