sexta-feira, 1 de julho de 2016

Estudo aponta associação entre a precariedade das condições de vida e a tuberculose

*Fotos: Irlan Peçanha e Carlos Basilia, Observatório Tuberculose Brasil (CRPHF/ENSP/Fiocruz)
*Fonte: Escola Nacional de Saúde Pública - Fiocruz

Samuel Pessoa
O Centro de Referência Professor Hélio Fraga (CRPHF/ENSP) promoveu uma sessão científica com o intuito de discutir a relação entre os determinantes sociais da saúde e a tuberculose. A atividade teve a participação do pesquisador colaborador do Departamento de Endemias Samuel Pessoa (Densp/ENSP) e membro do Laboratório de Monitoramento Epidemiológico de Grandes Empreendimentos da ENSP (LabMep), Alexandre San Pedro Siqueira, que apresentou um estudo sobre a tuberculose como marcadora de iniquidade social em saúde. 

Fruto de sua tese de doutorado, a pesquisa Os determinantes sociais da tuberculose: uma análise intraurbana em área de implantação de um importante projeto de desenvolvimento econômico na Região Leste do Estado do Rio de Janeiro aponta associação entre a precariedade das condições de vida e a ocorrência de tuberculose. O estudo também revela aprofundamento das desigualdades socioeconômicas, principalmente, em áreas que sofrem com a implementação de grandes empreendimentos.

Durante a sessão, foram discutidas questões referentes à relação entre as condições de vida de grupos populacionais e a produção da tuberculose, um problema de saúde que se revela como importante marcador de iniquidade social em saúde. Na ocasião, foram apresentados resultados de um estudo de revisão sistemática da literatura sobre fatores socioeconômicos associados à ocorrência de tuberculose, além de análise intraurbana acerca de tuberculose e condições de vida no município de Itaboraí.

Segundo o palestrante, a precariedade das condições de vida associada à ocorrência de tuberculose revela aprofundamento das desigualdades socioeconômicas, sobretudo em áreas em processo de transformação do espaço urbano induzido pela implantação de projetos de desenvolvimento econômico. "Nessa situação, a expectativa do aumento do valor da terra, o aprofundamento da segmentação social e o rápido processo de reorganização socioespacial podem exercer forte influência na reprodução da tuberculose", reforçou.

Para Alexandre, os achados da pesquisa sugerem que o desenvolvimento econômico observado na área de estudo veio acompanhado da ampliação das desigualdades socioeconômicas, resultando em formas diferenciadas de exposição e adoecimento por tuberculose, vinculadas á organização do espaço urbano. "De maneira geral, a existência de um contingente populacional em situação de vulnerabilidade socioeconômica associada à ausência ou pouca efetividade de políticas intersetoriais limita a resolutividade do problema unicamente à capacidade de resposta dos programas locais de controle da doença", apontou.

Sobre a tuberculose:

Nos últimos dez anos, a doença teve uma queda de 20% no país, segundo dados do Ministério da Saúde, e também houve redução em sua taxa de mortalidade, que, no período, caiu de 2,6 mortes por 100 mil habitantes para 2,2 mortes para cada 100 mil. Com os números que vem obtendo, o Brasil conseguiu alcançar a meta do Objetivo do Milênio de Combate à Tuberculose. Apesar do progresso, ainda ocupamos o 17º lugar entre os 22 países responsáveis por 80% de todos os casos da doença no mundo. Ainda há um longo caminho a percorrer, em particular entre as populações mais vulneráveis socialmente, que ainda sofrem grande risco de contrair tuberculose.

Recentemente, o programa Sala de Convidados, do Canal Saúde, trouxe o tema para o debate explicando como a incidência de tuberculose está diretamente ligada aos determinantes sociais da saúde. Assista aqui.


Nenhum comentário:

Postar um comentário