segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

10 milhões de vidas salvas e 45 milhões de casos de tuberculose evitados com o Plano de 5 anos do Stop TB Partnership

Traduzido do Stop TB Partnership

Genebra, 20 de novembro de 2015 – O mundo está perdendo a batalha contra a tuberculose (TB), que é, atualmente, a doença infecciosa que mais mata, causando 1,5 milhão de mortes ao ano. Sem um plano de investimento claro e uma remodelação nos métodos de enfrentamento à doença, a TB não será eliminada até o fim do século XXII, e o mundo não alcançará a meta dos Objetivos do Desenvolvimento Sustentável de acabar com a TB até 2030.

Para chegar ao objetivo, será necessário um pacote de investimento de mais de 55 bilhões de dólares de 2016 a 2020, que pretende oferecer tratamento a 29 milhões de pessoas, salvar mais de 10 milhões de vidas e evitar que 45 milhões de pessoas adoeçam por TB. Esse investimento traria um benefício enorme para os indivíduos afetados, suas famílias e comunidades, e seria um dos maiores retornos de investimento em qualquer intervenção de saúde – um retorno de 85 dólares para cada dólar investido. Essa estimativa está descrita no novo Plano Global para eliminar a TB 2016-2020 lançado hoje pelo Stop TB Partnership.

O Plano Global tem o objetivo de alcançar as metas, chamadas 90-(90)-90:
  1. Ter 90% de todas as pessoas com tuberculose diagnosticadas e tratadas.
  2. Como parte do item i., garantir que 90% das populações mais vulneráveis em todos os países sejam diagnosticadas e tratadas. As populações vulneráveis variam de acordo com a realidade de cada país, e podem incluir: mineiros, crianças, pessoas vivendo com HIV, pessoas que usam drogas injetáveis, pessoas privadas de liberdade, pessoas vivendo em situação de rua, populações indígenas e migrantes, entre outros.
  3. Garantir que 90% das pessoas que tenham o diagnóstico confirmado completem o tratamento, em serviços de saúde que garantam a adesão e ofereçam apoio social.
A África do Sul, um país com uma das maiores taxas de TB no mundo, já começou a colocar em prática seu plano de alcançar as metas 90-(90)-90 até 2020. “O Plano Global deixa claro que precisamos de uma mudança de paradigma para acabar com a TB – uma mudança na maneira como enfrentamos a TB em todos os níveis, em todas as comunidades, em todas as unidades de saúde, em todos os países”, diz Dr. Aaron Motsoaledi, presidente do conselho executivo do Stop TB Partnership e Ministro da Saúde da República da África do Sul.

Ele acrescenta: “A TB sempre foi uma doença da pobreza, e um teste sobre nosso compromisso com a igualdade social e a saúde de todos. Infelizmente, a longevidade da doença criou um senso de aceitação que está aqui para ficar e um senso de complacência. O Plano Global 2016-2020 foi desenvolvido para mudar o status quo, e provê uma oportunidade para tratar esses desafios ampliando e integrando o cuidado de TB a uma abordagem de sistema de saúde e de comunidade, para eliminar a pobreza, e construir sociedades saudáveis e sustentáveis”. As fases iniciais do plano sul-africano abordarão testes em comunidades mineiras, assim como 90% da população privada de liberdade, que tem altos índices de infecção. Nelson Mandela se infectou com TB na prisão nos anos 80.

Uma renovação completa do “modelo de negócios” usado para manejar a TB terá que atingir essas metas ambiciosas. Mas essa é a única maneira de acelerar, em até 10% ao ano, as pequenas quedas de incidência de TB nos anos recentes (por volta de 1,5% ao ano) e alcançar as metas da Organização Mundial da Saúde (OMS) – de reduzir a incidência de TB para uma média global de 10 novos casos por 100 mil habitantes ou menos até 2035, efetivamente eliminando a doença como um problema de saúde pública. Se essa média inadequada de queda anual de 1,5% continuar, a TB levará mais de 150 anos para ser eliminada.

“É uma desgraça global e uma tragédia humana que a TB – uma doença curável – mate mais de 1,5 milhão de pessoas por ano e ninguém fale em acabar com ela”, diz Dra. Lucica Ditiu, diretora executiva do Stop TB Partnership. “Sabemos que isso pode ser feito, sabemos como pode ser feito, quanto nos custaria – temos que ter o desejo de fazer e a energia para seguir em frente. Podemos ser a geração que será lembrada como a que mudou a maré dessa enorme, mas tratável, epidemia.”, ela complementa.

Para implementar as ações propostas pelo Plano Global é necessária uma mudança de mentalidade, em primeiro lugar – com uma combinação entre as ferramentas existentes  e as novas em desenvolvimento, a doença pode e será eliminada. A nova estratégia é centrada numa abordagem de direitos humanos e gênero, lideranças políticas mais fortes e um foco na comunidade e no paciente. E o plano também destaca que precisamos de novos e inovadores programas de TB, com intervenções integradas nos sistemas de saúde dos países, e melhorias nas condições socioeconômicas em que a TB pode prosperar (incluindo casas com grande número de pessoas e desnutrição).

Essa batalha contra a TB não pode ser vencida sem novas ferramentas. Para isso, o Plano Global estabelece um valor de 9 bilhões de dólares, necessários para a pesquisa e desenvolvimento vitais para a criação de uma vacina que projeta as pessoas de todas as idades contra a TB. Também são necessários para o desenvolvimento de testes diagnósticos rápidos e altamente sensíveis que podem ser implementados na atenção primária, e de esquemas de medicamentos (incluindo TB drogarresistente) que sejam altamente eficazes e não-tóxicos.

A expectativa é que os fundos para o plano venham de fontes domésticas dos países de alta renda e dos BRICS (Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul).

O Fundo Global para a Luta contra o HIV/Aids, Tuberculose e Malária já provê cerca de 80% para os programas de TB dos países de baixa e média renda que necessitam apoio externo significativo. Com um esforço conjunto para ter um Fundo Global abastecido, começando com um grande evento em Dezembro deste ano no Japão, Dra. Ditiu diz que “aumentar os fundos para virar a maré do enorme problema global que é a TB deve ser prioridade na agenda dos países”.

Dr. Mark Dybul, diretor executivo do Fundo Global, recepcionou bem o plano dizendo: “Aplaudimos o lançamento do Plano Global 2016-2020: A Mudança de Paradigma – sabemos que ele cria o caminho para um impacto acelerado no controle da epidemia de TB e, por fim, sua eliminação. Se formos sérios sobre a eliminação da TB – considerando que é uma doença curável em seis meses – nós realmente precisaremos de uma mudança de mentalidade, ambição e ação em cada nível para ampliar, aumentar a cobertura e alcançar a todos com o pacote correto de intervenções para TB. Temos de estar seguros que a Estratégia do Fundo Global 2017-2022 seja coordenada e alinhada com o Plano Global e que trabalharemos juntos para implementá-lo.”

Neste mês, na 46ª Conferência de Saúde do Pulmão da Union em Cape Town, África do Sul, o Plano Global do Stop TB Partnership será aprovado por políticos de alto nível de todo o mundo, num evento especial de alto nível liderado pelo Dr. Motsoaledi.

“Não há dúvidas de que estamos enfrentando sérias barreiras no combate à tuberculose. O Plano Global provê um panorama que se baseia na Estratégia pelo Fim da TB e enfrenta os desafios que as barreiras apresentam.”, diz o Dr. Eric Goosby, Relator Especial das Nações Unidas para TB. “É um documento ambicioso e visionário que pede a todos os envolvidos que façam sua parte para ajudar a alcançar a meta dos ODSs 2030”.

Clique aqui para ver o Plano Global pelo Fim da TB.



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