quarta-feira, 25 de novembro de 2015

Tuberculose é tema de alguns espaços no 10º Congresso de HIV/Aids

Ministro da Saúde, Marcelo Castro, na abertura
João Pessoa, 20 de novembro de 2015 – A capital paraibana recebeu o 10º Congresso de HIV/Aids e o 3º Congresso de Hepatites Virais, entre os dias 17 e 20 de novembro. Com o mote “Novos Horizontes, Novas Respostas”, o evento reuniu cerca de 2,5 mil pessoas, em João Pessoa, e foi organizado pelo Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais da Secretaria de Vigilância em Saúde, do Ministério da Saúde.

Novos horizontes pedem novas respostas para a Aids e as hepatites. Por isso, a programação do congresso permeou temas como: coinfecção hepatites-HIV, as metas de redução dos níveis epidêmicos da aids até 2030, inovações em testes diagnósticos e medicamentos, a busca da cura da hepatite C e os Objetivos do Desenvolvimento Sustentável, acordados no âmbito das Nações Unidas.

A coinfecção TB-HIV esteve presente em diferentes momentos do congresso:
- Oficina – Discussões de casos clínicos de coinfecção TB-HIV;
- Lançamento do curso de Manejo da coinfecção TB-HIV da UNA-SUS;
- Evidências científicas em adesão ao tratamento (Adesão e saúde mental no cuidado a coinfectados TB-HIV);
- Roda de Conversa sobre TB no Sistema Prisional – Projeto TB Reach;
- Coinfecção TB-HIV: Cenário Mundial, cenário nacional e o que mais podemos fazer.

Casos clínicos

Na atividade pré-congresso, a oficina que trouxe para a discussão casos clínicos de coinfecção TB-HIV contou com a participação de Sumire Sakabe, médica infectologista, responsável pelo atendimento das pessoas com coinfecção  por HIV e tuberculose do Centro de Referência e Treinamento em DST Aids do Estado de São Paulo; Valéria Cavalcanti Rolla, médica do Centro de Pesquisa Hospital Evandro Chagas, no Rio de Janeiro; e Magda Maruza Melo de Barros Oliveira, pneumologista, da Secretaria de Saúde Amaury de Medeiros , da Universidade de Pernambuco e da Fundação Oswaldo Cruz.

Curso de Manejo da coinfecção TB-HIV

Durante o congresso, a Secretaria Executiva da Universidade Aberta do SUS (UNA-SUS) lançou, no dia 18, em conjunto com a Secretaria de Vigilância em Saúde, o curso Manejo da Coinfecção Tuberculose-HIV (TB-HIV). Um curso online, auto instrucional, com carga horária de 45 horas voltado para profissionais que já lidam com HIV/Aids, especialmente aqueles que prescrevem e manejam antirretrovirais. Os profissionais que fizerem o curso completo e finalizarem as avaliações terão um certificado de conclusão de curso com a carga-horária especificada.  As inscrições, abertas no momento do lançamento, tiveram bastante procura.

Veja mais detalhes do curso clicando aqui.

Adesão e saúde mental no cuidado a coinfectados TB-HIV

No dia 19, foi realizada uma mesa sobre evidências científicas em adesão ao tratamento. A coordenadora do Programa de DST/Aids e Hepatites Virais da Prefeitura Municipal de São Caetano do Sul, Lucy Cavalcanti Ramos Vasconcelos, falou sobre a atualização científica em adesão ao tratamento antirretroviral.

Já para tratar de adesão e saúde mental no cuidado das pessoas com coinfecção TB-HIV, a psicóloga Helena Maria Medeiros Lima trouxe alguns aspectos como a questão do luto duplo para a pessoa com coinfecção, a depressão e outros aspectos psicológicos que devem ser levados em conta pelo profissional de saúde no momento do acolhimento. Helena destacou a importância de repensar as velhas respostas, fazendo-se novas perguntas. Para ela, é fundamental entender a individualidade de cada paciente para pensar em estratégias de estímulo à adesão.

Zarifa Khoury, médica infectologista do Hospital Emílio Ribas, falou sobre os casos de abandono de tratamento no município de São Paulo.

Conversando sobre a tuberculose no sistema prisional

Como parte das atividades paralelas, foi realizada uma roda de conversa sobre o problema da tuberculose no ambiente carcerário. O disparador da conversa foi o projeto TB Reach, implementado pelo Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT) em conjunto com o Escritório das Nações Unidas sobre Drogas e Crime (UNODC). O projeto engloba o Presídio Central de Porto Alegre (RS), o complexo de Charqueadas (RS) e o complexo penitenciário de Bangu (RJ).
O encontro aconteceu no espaço do estande da ONU e contou com a presença dos monitores do projeto, com profissionais de saúde da atenção básica e da saúde prisional, entre outros participantes.

Para saber mais sobre o projeto, clique aqui.

Coinfecção tuberculose-HIV no Brasil e no mundo

No último dia do congresso, profissionais de saúde, representantes da sociedade civil, imprensa e outros congressistas se reuniram na sala Bessa do Centro de Convenções Poeta Ronaldo Cunha Lima, para falar sobre a coinfecção TB-HIV.

Denise Arakaki, médica infectologista do Governo do Distrito Federal, explicou o panorama global sobre a coinfecção e pontuou a importância das ações colaborativas para enfrentar a sindemia entre as duas enfermidades. “Estudos mostram que onde há maior incidência de HIV, também existe alta incidência de tuberculose. Por isso, se fala em uma sindemia, quando duas ou mais enfermidades têm uma interação tão sinérgica”. Denise também destaca que, mais do que colaborar, é preciso que haja integração das ações. “Os programas de tuberculose e de HIV devem estar sempre alinhados para o controle e prevenção da coinfecção”, conclui.

Para falar do cenário brasileiro, Daniele Pelissari, servidora do PNCT, trouxe dados epidemiológicos e destacou que alguns estados ainda têm baixos números para a realização do teste de HIV entre pacientes diagnosticados com tuberculose, ainda que seja uma recomendação do programa nacional. “A média nacional é boa, mas ainda faltam esforços em alguns estados para aumentarmos a detecção. Muitas pessoas com tuberculose que não estão sendo testadas podem ser infectadas pelo HIV. Onde estão esses pacientes?”, questiona Daniele.

Trazendo uma perspectiva local dos trabalhos integrados, Ana Paula Costa, coordenadora do programa estadual de controle da tuberculose do Espírito Santo, demonstrou como a priorização política na coinfecção TB-HIV é fundamental. Ana Paula apresentou dados e ações, como a testagem para HIV, manejo clínico e o tratamento para a infecção latente da tuberculose.

Representando o Departamento de DST, Aids e Hepatites Virais, Marcelo Araújo de Freitas apresentou as metas de redução dos níveis epidêmicos da Aids e o plano global de eliminação da tuberculose como um problema de saúde pública. Marcelo destacou como um ponto importante o início imediato do tratamento antirretroviral. A terapia diminui o risco de adoecimento por TB em pessoas que vivem com HIV/Aids e isso pode representar um avanço no controle da coinfecção. “Temos que pensar além da redução da mortalidade por TB. O ideal é que consigamos evitar a infecção e o adoecimento por tuberculose”, conclui Marcelo.

Sociedade Civil

Na plateia, representantes da sociedade civil destacaram a importância do tema da coinfecção e como foi pouco explorado durante o congresso. “Nós estamos felizes com a realização deste encontro, mas não podemos deixar de dizer que ainda é muito pouco. Já é um avanço comparado aos outros congressos, mas faltam espaços como este e também falta a participação da sociedade civil nessas discussões”, explica Jair Brandão Filho, do Comitê Estadual de controle da Tuberculose de Pernambuco.


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