quinta-feira, 21 de junho de 2012


Ceará teve 200 óbitos por tuberculose em 2011 e atendimento ainda é precário



Febre, emagrecimento, dores musculares e tosse com secreção. Esses são os sintomas de uma doença que, há mais de dois séculos, provoca estado debilitado e até a morte das pessoas em todo o mundo: a tuberculose. Ela é causada por uma bactéria, Mycobacterium tuberculosis, por meio do contágio e infecção. Ao tossir, espirrar ou falar, um doente de tuberculose pode transmitir a bactéria através da saliva ou gotícula para outro indivíduo. Em 2011, 200 pessoas morreram no Ceará por conta da tuberculose.

A tuberculose é considerada grave, mas, quando há tratamento adequado, é curável em praticamente 100% dos casos. Idosos, crianças com menos de quatro anos e portadores de doenças que atingem a imunidade são os mais propensos a desenvolverem a doença. Os tipos são: pulmonares e extras pulmonares. O mais comum é o que afeta os pulmões, chamado tuberculose pulmonar. Rins, órgãos genitais, intestino delgado e ossos também podem ser comprometidos.

Dados

Segundo a Coordenadora das Ações de Controle da Hanseníase da Célula de Vigilância Epidemiológica (CEVEPI), enfermeira Heloísa Gurgel, metade da população do Brasil é infectada pela tuberculose. Ela explica que há dois momentos introdutórios da doença: o primeiro é o contágio, que pode ou não vir a torna-se um problema, e o outro é a própria doença, que é causada por conta de outro fatores.

“O bacilo encontra um lugar bom para viver e se reproduzir com as seguintes características: ter pouca ou nenhuma iluminação, ser úmidos e com baixa ventilação”, alertou a enfermeira. Heloísa disse ainda que, por conta da falta higiene e infraestrutura, pessoas que moram com um doente que não está sendo bem tratado, presidiários ou moradores de rua chegam a ter 70% a mais de chance de desenvolver a doença. “Para você ter noção, a favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, tem maior incidência de tuberculoso do mundo”, comentou.

Tratamento e mortalidade

Cerca de 5.500 brasileiros morrem por conta da infecção anualmente. No Ceará, a taxa é alarmante: são registrados cerca de 200 óbitos por ano. “Rio de Janeiro e Fortaleza são exemplos de que nos grande aglomerados é que a taxa de mortalidade é maior”, pontuou Heloísa.

A enfermeira Heloísa comentou que, no Ceará, o atendimento é realizado nos 92 postos de saúde do Fortaleza. O paciente faz um exame no posto e, caso seja confirmada a doença, o tratamento deve ser iniciado imediatamente. “Em qualquer lugar do Brasil, o tratamento para tuberculose é totalmente gratuito”, alertou.

O paciente só deve ser encaminhado ao hospital quando a doença encontra-se em estado mais grave. “O problema daqui [do Ceará] é que só existe dois leitos específicos para o atendimento do tuberculoso no Hospital da Messejana. Isso é insuficiente. É necessário mais hospitais com condições de atender, pessoas com doenças respiratórias”, disse.

O tratamento é realizado a base de antibióticos, com duração de cerca de seis meses. Na maioria dos casos, a internação no hospital não é necessária. Com o tratamento inadequado, o microorganismo pode se tornar mais resistente, sendo seu tratamento mais complexo e de custo elevado. Além disso, a forma de prevenção é por meio de vacina, como a BCG.

Aids

Com o surgimento da Aids, o quadro da tuberculose mudou. Por afetar principalmente o sistema imunológico do corpo humano, a doença respiratória tem mais probabilidade de causar sintomas mais graves na pessoa contagiada. A tuberculose é uma das principais causas da morte de portadores do vírus HIV.



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