quinta-feira, 26 de março de 2015

Congresso Nacional realiza Sessão Solene em alusão ao Dia Mundial de Luta Contra a Tuberculose

Nesta segunda-feira, 23, o Congresso Nacional realizou Sessão Solene em Alusão ao Dia Mundial de Luta Contra a Tuberculose. Com auditório cheio, o evento foi conduzido pela deputada Erika Kokay, membro da Frente Parlamentar contra a Tuberculose e também presidente da Frente Parlamentar da Aids, e contou com a participação do Ministro da Saúde, Arthur Chioro, parlamentares, profissionais de saúde, gestores, representantes da sociedade civil e da Academia e parceiros intersetoriais.

Além do ministro e da deputada, compuseram a mesa da solenidade: o secretário executivo da Parceria Brasileira de luta contra a Tuberculose, Carlos Basília; o presidente da Organização Pan Americana de Saúde (OPAS), Joaquin Molina; e a subsecretária de saúde do município do Rio de Janeiro, Betina Durovni.

Na abertura da sessão, a deputada leu comunicado conjunto de dois parlamentares da Frente Global de Tuberculose, o presidente da frente parlamentar de tuberculose do Reino Unido, Nick Herbert e o presidente da Frente Parlamentar de luta contra a tuberculose no Brasil, o deputado Antônio Brito – que não pode estar presente na solenidade em razão de agenda junto ao governador do seu estado.

Na carta, os parlamentares alertam para esta doença que ainda é um problema de saúde global, ceifando a vida de milhões de pessoas todos os anos. Dentro deste contexto, explicitam que a tuberculose não é um problema a ser resolvido apenas pelo setor saúde e destacam que o papel do congresso pode ser crucial.

Após a leitura da carta, o ministro da Saúde, Arthur Chioro, divulgou os dados mais recentes sobre a tuberculose no país, bem como as principais ações do Ministério da Saúde que tem contribuído para que os índices da doença permanecessem em queda - como é o caso da oferta gratuita dos medicamentos e da descentralização do tratamento para a Atenção Básica.

Em 2014, a incidência de tuberculose no Brasil foi de 33,5 casos por 100 mil habitantes, contra 43,4/100 mil em 2004. A taxa de mortalidade de 2013 foi de 2,3 óbitos por 100 mil habitantes, abaixo dos 2,9 óbitos por 100 mil habitantes registrados em 2003. Ou seja, nos últimos 10 anos, o Brasil reduziu em 22,8% a incidência de casos novos de tuberculose e em 20,7% a taxa de mortalidade.

São mais vulneráveis à doença as populações indígenas, os privados de liberdade, a população em situação de rua, além das pessoas vivendo com o HIV. De acordo com o ministro, isso acontece em razão da dificuldade de acesso destas pessoas aos serviços de saúde e às condições específicas de vida. 

Além de priorizar estas populações, o ministro destacou os determinantes sociais da tuberculose:

“O sucesso da resposta do país e os desafios que ainda precisamos enfrentar só terão êxito se tivermos a capacidade de constituir uma ampla aliança em torno de ações concretas de vários setores, não apenas os gestores e trabalhadores da saúde, mas também de atores de outras áreas da sociedade que se associam no enfrentamento da tuberculose”, avaliou o ministro.

Hospital faz um alerta para o combate à tuberculose


"A tuberculose ainda é  motivo de preocupação para os baianos". A  afirmação é da  coordenadora do Programa de Controle da Tuberculose (PCT-BA) da Secretaria da Saúde do Estado (Sesab), Rosângela Palheta. A Bahia ocupa o 3º lugar no ranking de casos da doença, atrás de São Paulo e Rio de Janeiro.

Dados preliminares da secretaria dão conta de que houve uma pequena queda nos registros entre 2013 e 2014. Há dois anos, cerca de 4.900 casos foram contabilizados, comparados a  4.781 do ano passado. Mas a coordenadora faz um alerta.

"Embora  números apontem  uma redução, os dados de 2014 não foram consolidados", informa. Segundo ela, mais de 300 mortes foram registradas devido à doença no último ano,  conforme relatórios parciais.

O médico infectologista Eduardo Martins Netto afirma que a tuberculose pulmonar é a mais comum e acomete 70% dos casos. "O contágio se dá pela tosse. Uma pessoa infectada pode contaminar até 15 ou 20 indivíduos que estejam ao  redor", diz.

Ele explica que, ao tossir, partículas contaminadas ficam suspensas no ar e podem ser aspiradas. Além da tosse, a perda de peso, febre e secreção amarelada também são sintomas que requerem atenção.

"O tratamento dura seis meses e é efetivo para a maioria dos pacientes. Contudo, como ele apresenta rápida melhora dos sintomas no início do processo, há uma taxa de abandono significativa", afirma.
Segundo o médico, a taxa aceitável de desistência, conforme a Organização Mundial da Saúde (OMS), é de 5%. O Brasil atinge, atualmente, cerca de 15%. Na Bahia, segundo Rosângela Palheta,   é de 7%.

Martins afirma que a vacina BCG (Bacillus Calmette-Guérin) não é totalmente eficaz no combate à doença em adultos. O tratamento é feito à base de antibióticos.

Há cinco anos, a bancária Rafaela Braga, 26 anos, sofreu com a doença. "Tinha tosse insistente. Durante uma crise, tossi sangue e logo busquei um médico. Concluí os seis meses de tratamento e não apresentei nenhuma recaída", conta.

A Sesab afirma que os estoques da vacina - comumente aplicada em recém-nascidos -  estão em nível satisfatório e não há risco de faltar na capital nem no interior do estado.  

HEOM

Para marcar o Dia Mundial de Combate à Tuberculose - celebrado na data de terça, 24 -, o Hospital Especializado Octávio Mangabeira (Heom) programou  várias atividades relacionadas ao tema.

A programação inclui palestras que  visam mostrar a situação radiológica em pacientes com tuberculose e pesquisas sobre o abandono de tratamento.

O evento será realizado na área externa da unidade, das 7h30 às 13h30. Integrantes do Comitê Baiano para o Controle da Tuberculose e diversas equipes do hospital, de universidades e do Distrito Sanitário da Liberdade são esperados.