quinta-feira, 1 de dezembro de 2016

COINFECÇÃO TB/HIV EM PAUTA

Hoje, dia  01 de dezembro,  é o Dia Mundial de Luta contra a Aids. Nos países endêmicos para tuberculose (TB), como é o caso do Brasil, o advento da epidemia do HIV trás consigo grandes desafios para o controle da tuberculose, visto as dificuldades no diagnóstico e tratamento da TB em pessoas vivendo com HIV e Aids (PPHA). Quando comparado à população geral, as PVHA estão 28 vezes mais propensas a desenvolver tuberculose ativa, além disso, as interações medicamentosas, dificuldades de adesão ao tratamento e mesmo a gravidade de ambas as doenças determinam a alta mortalidade da coinfecção tuberculose e HIV. 

O controle do HIV/Aids e da TB ainda é um grande desafio para a saúde pública. Em 2006, a Organização Mundial da Saúde (OMS) recomendou as Atividades Colaborativas TB-HIV com o objetivo de diminuir a carga de TB e HIV em pessoas com risco para o desenvolvimento da doença. As atividades colaborativas apresentam três eixos principais: estabelecer e reforçar os mecanismos de colaboração e de gestão conjunta entre os programas de TB e HIV, reduzir a carga de TB em pessoas vivendo com HIV, iniciar a terapia antirretroviral precoce e reduzir a carga de HIV em pacientes com TB e/ou diagnosticados. 

Para a Organização Mundial da Saúde o Brasil possui alta carga de TB e também alta carga de coinfecção TB e HIV, estando entre os 30 países com maior número de casos de TB e de coinfecção no mundo. O Brasil, possui uma proporção de coinfecção TB-HIV de aproximadamente 10%. Em 2015, o percentual de testagem para HIV no Brasil foi 78% entre os casos novos de TB, os quais revelaram 9,9% de pessoas com coinfecção TB-HIV.  

Para ampliar as atividades colaborativas em prol da associação da TB e do HIV, o Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT) e o Departamento de IST, Aids e Hepatites Virais (DIAHV) do Ministério da Saúde investiram na integração dos dois programas tanto na esfera federal, quanto nas outras esferas de governo. Destaca-se ainda como uma das prioridades, o monitoramento mensal do indicador de testagem para o HIV em pacientes com tuberculose na Agenda Estratégica da Secretaria de Vigilância em Saúde/MS e ainda, a publicação pelo Ministério da Saúde, em 2017, de um Boletim Epidemiológico temático focado em TB-HIV, o qual abordará, entre outros temas, fatores associados ao abandono, e a cobertura da terapia antirretroviral em casos coinfectados. 

Além de priorizar essas atividades colaborativas, o manejo clínico da coinfecção TB-HIV ainda precisa ser qualificado, principalmente em relação ao início oportuno dos antirretrovirais e do diagnóstico precoce do HIV nas pessoas com tuberculose, e da tuberculose nas PVHA, uma vez que esse grupo de pacientes apresenta maior risco para os desfechos desfavoráveis da doença, com abandono do tratamento e óbito maior, e cura menor que na população que a população não-HIV. Importante também a prevenção da tuberculose nessa população, como uma das principais estratégias para a melhoria do cenário atual de ambas as doenças.

Ações desenvolvidas pela Rede Brasileira de Comitês

Com o objetivo de destacar a importância das ações colaborativas, alguns Comitês Estaduais pertencentes a Rede Brasileira de Comitês para o controle da TB estão realizando eventos para discutir a necessidade de fortalecimento das ações entre os programas de Aids e TB.

O Pará realizou o 1º Seminário do Comitê Estadual de Tuberculose, no qual a coinfecção TB-HIV estava entre os temas discutidos. A partir do relato de experiência de um SAE (Serviço de Atendimento Especializado) foi possível observar a importância da colaboração entre os serviços para o tratamento das pessoas com coinfecção. Também foi debatido o papel do Comitê como agente de informação, controle social e a necessidade de ações integradas entre o movimento de TB e Aids.

No dia 28 de novembro o Comitê Estadual de Tuberculose de São Paulo realizou evento intitulado “Roda Vida TB+HIV” que reuniu ativistas e especialistas em TB e HIV/Aids no Instituto Clemente Ferreira. O Instituto é especializado no tratamento da TB e, desde o início de 2016, funciona dentro do Instituto, um Centro de Testagem e Aconselhamento (CTA). Este trabalha em parceria com o Centro de Referência e Treinamento em DST/Aids-SP.

As coordenadoras estaduais e municipais dos programas de Aids e TB discutiram a necessidade de integração das ações, com ênfase no diagnóstico e tratamento das pessoas com TB-HIV. Já a sociedade civil alertou para importância de intensificar as ações de mobilização relacionadas ao tema.
O evento ainda contou com a participação da Agência Aids que realizou a cobertura e divulgou a atividade em seu site.

 

Mas as atividades não param por ai!  


            Manaus também realizou uma atividade de mobilização relacionada à prevenção ao HIV/Aids na região  portuária, alusiva ao dia mundial de luta contra Aids – 1º dezembro. O Comitê Estadual de Tuberculose participou da atividade com o objetivo de sensibilizar a população  para detecção  da TB e alertar para a importância da pessoa com TB realizar o teste para o HIV.


Já o Comitê do Rio Grande do Sul realizará entre os dias 05 e 07 de dezembro o “I Fórum Gaúcho – Desafios para o enfrentamento da coinfecção TB-HIV”, no Sanatório Partenon, em Porto Alegre.  O evento contará com participação de gestores, academia e sociedade civil. Entre os representantes da sociedade civil estarão Veriano Terto Junior da Associação Brasileira de Aids e Roberto Pereira do Fórum TB do Rio de Janeiro. Fernando Seffner, representante da academia, professor e pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul fará uma abordagem sobre as questões relacionadas à vulnerabilidade e direitos humanos - perspectivas teóricas para ampliar a qualidade da resposta à coinfecção TB-HIV.


terça-feira, 22 de novembro de 2016

Brasil segue discutindo a priorização da tuberculose no âmbito dos BRICS

A tuberculose é uma prioridade de saúde pública para os países dos BRICS – Brasil, Rússia, Índia, China e África do Sul. Cerca de 50% da carga mundial de TB está concentrada nesses cinco países. O bloco, que discute temas comuns em saúde desde 2011, tem buscado priorizar os esforços conjuntos contra a doença desde 2014, quando os Ministros da Saúde dos países se comprometeram em unir esforços para o enfrentamento da tuberculose.

Foi nesse contexto que, nos dias 15 e 16 de novembro, foi realizado em Ahmedabad, Índia, o Workshop de TB&HIV dos BRICS. O encontro teve como base a estratégia “Fim da TB”, endossada pela OMS desde 2014 e as metas “90-90-90” para a tuberculose, propostas pelo Stop TB Partnership, e do HIV/aids, propostas pela UNAIDS. Na ocasião foram discutidos aspectos relevantes sobre as duas doenças, como a situação epidemiológica, diagnóstico e tratamento, resistência aos medicamentos e políticas em relação aos determinantes sociais das doenças. Além de representantes técnicos dos Ministérios da Saúde dos BRICS, participaram do encontro representantes do Stop TB Partnership, da OMS e da academia.

Cada país tem desenvolvido ações estruturais e programáticas que foram compartilhadas com o grupo, e, mesmo havendo um contexto epidemiológico e social complexo em relação a ambas as doenças em cada país, há uma base comum de causas epidemiológicas, sociais e econômicas que permitem discutir o atual aumento no número de casos de HIV e de tuberculose. Ficou evidenciada, entre outros pontos, a necessidade urgente da ampliação de recursos destinados à pesquisas de novos métodos diagnósticos e de tratamento, bem como a necessidade de prover apoio aos pacientes através do fornecimento da medicação necessária ao tratamento pelo Estado, além de incentivos sociais àqueles pacientes que enfrentam alguma vulnerabilidade.

Por fim, os países acordaram uma breve declaração com recomendações específicas discutidas no encontro, que será divulgada em breve.