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sexta-feira, 10 de agosto de 2012

Em discurso no Congresso Nacional, Benedita da Silva reforça a importância da luta contra Tuberculose

Nesta terça-feira, 7, a deputada federal e vice-presidente da Frente Parlamentar pela Luta contra Tuberculose, Benedita da Silva (PT/RJ) realizou discurso na Câmara dos Deputados, referente à sua participação no 8º Encontro Comunitário de Tuberculose, realizado na segunda-feira em alusão ao Dia Estadual de Conscientização e Mobilização no Combate à Tuberculose no Rio de Janeiro.

Em seu discurso, Benedita lembrou que apesar dos esforços empreendidos pelo Brasil, a tuberculose ainda é grave problema de saúde pública e destacou que a  principal dificuldade enfrentada pelo setor da saúde, para reduzir a incidência de tuberculose, é enfrentar a vulnerabilidade social das populações atingidas.

Ressaltou ainda que no que se refere às ações de combate à doença, o Brasil avançou muito nos últimos anos e foi reconhecido pela Organização Mundial da Saúde por ter conseguido antecipar uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), ao reduzir o número de pessoas com tuberculose em 38,4%, e a taxa de mortalidade para 35,8% em dez anos.

Estas ações foram realizadas pelo Programa Nacional de Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde (PNCT/MS), que privilegia a descentralização das medidas de controle para a atenção básica, ampliando o acesso da população. 

Em consonância com a atuação do PNCT, que desde a inserção da tuberculose no Plano Brasil sem Miséria, em 2011, tem se articulado à assistencia social para o desenvolvimento de ações conjuntas no enfrentamento da doença, a deputada acredita que é preciso ampliar as articulações intersetoriais, envolvendo os diversos setores do governo e da sociedade civil, para garantir os direitos das pessoas com tuberculose e ampliar as ações de controle da doença.

Frente Parlamentar pela luta contra a tuberculose

A Frente Parlamentar pela luta contra a tuberculose foi formalmente instalada em maio deste ano e contou com a adesão de 220 parlamentares. Reivindicação antiga de ativistas e gestores da saúde pública, se materializou a partir da iniciativa do deputado Antônio Brito (PTB/BA) com o objetivo de acompanhar a política nacional de controle da tuberculose e contribuir para o enfrentamento desta doença por meio do aperfeiçoamento da legislação relacionada à saúde, assistência social e outras políticas vinculadas, a partir das comissões temáticas nas duas Casas do Congresso Nacional.

Em menos de dois meses de atuação, a Frente consolidou sua primeira ação por meio da aprovação da emenda ao artigo 51 da Lei de Diretrizes Orçamentarias 2013, que dispensa a detenção do Certificado de Entidades Beneficente de Assistência Social (CEBAS) para o repasse de recursos às entidades privadas sem fins lucrativos que atuam na área de prevenção, promoção e atenção às pessoas vivendo com HIV/aids, hepatites virais, tuberculose, hanseniase, malária e dengue.

Esta conquista é resultado da articulação entre governo e sociedade civil e da participação efetiva dos parlamentares que tem contribuído politicamente no enfrentamento da doença.

Leia abaixo o discurso da deputada na integra.

"O 8º Encontro Comunitário de Tuberculose foi realizado ontem, no meu estado do Rio de Janeiro. Pude participar desta iniciativa importante listada no rol das ações da sociedade civil organizada e governo, que foi realizado em alusão ao Dia Estadual de Conscientização e Mobilização no Combate à Tuberculose no Rio de Janeiro.

A iniciativa do Fórum Estadual das ONGs na Luta contra a Tuberculose do Rio de Janeiro, em parceria com o Programa Estadual de Controle da Tuberculose (PCT/SES/RJ), é pioneira no combate à enfermidade e tem, a cada edição, avançado e criado mais consciência e alerta na sociedade, estabelecendo uma parceria entre agentes de saúde, moradores, pacientes e familiares.

O objetivo do encontro foi reforçar as atividades de mobilização e, sobretudo, fomentar o debate sobre os principais entraves ao controle da tuberculose.

Apesar dos esforços empreendidos no Brasil pelo governo federal através do “Plano Nacional de Controle da Tuberculose” esta doença constitui-se, ainda, em importante ameaça para a saúde pública.

Envolvimento e comprometimento da comunidade. Essa parece ser a chave para avançar no controle social da tuberculose. Mas isso pressupõe mudança de atitudes e de comportamentos dos moradores de comunidades com grande registro de casos, num processo histórico e cultural.

Além do acompanhamento de indicadores, nosso grande desafio é vencer a vulnerabilidade social das populações, principal dificuldade do setor de saúde pública para reduzir a incidência de tuberculose.

Minha experiência na gestão de assistência Social – seja a nível nacional como estadual é que a maioria dos pacientes de baixa ou nenhuma fonte de renda não tem condições de dar continuidade ao tratamento. Nossas ações de integração do serviço de saúde com o de assistência social foi a solução encontrada para avançar nesse campo.

A criação de mecanismos nos movimentos comunitários no controle da Tuberculose consistiu na criação de estratégias para detecção precoce da tuberculose, principalmente, orientando aquelas pessoas com suspeita da doença de ir ao posto de saúde mais próximo da residência. Também vimos que as pessoas que colaboram para a prevenção e ajudam no tratamento dos vizinhos seja acompanhando o paciente na tomada de seus medicamentos ou mesmo fazendo algum tipo de prática educativa com a população daquela comunidade. Por isso é fundamental essa parceria.

No Brasil, a formulação e implementação das políticas de controle da tuberculose foram assumidas por instituições estatais e filantrópicas ao logo da história. Para avançar ainda mais, incorporando novos agentes nesse combate precisamos que se amplie a integração entre Educação e Saúde interligando o tema nos currículos escolares e universitários, para que haja maior inclusão de populações indígenas, deficientes e carcerária nas discussões sobre tuberculose.

Além disso, precisamos fortalecer os vínculos dos programas de Aids e Tuberculose, a fim de ampliar a efetiva implantação do teste rápido para o diagnóstico do HIV, com aconselhamento de qualidade, e que seja pautado como linha transversal de qualquer trabalho, ação ou pesquisa em Tuberculose, a atenção a questões de raça, cor e gênero.

No campo de combate à doença, nosso país também avançou muito nos últimos anos. O Brasil conseguiu antecipar uma das metas dos Objetivos de Desenvolvimento do Milênio (ODM), ao reduzir o número de pessoas com tuberculose em 38,4%, e a taxa de mortalidade para 35,8% em dez anos. O reconhecimento é da Organização Mundial da Saúde, que esperava o alcançar da meta somente em 2015.

As ações foram realizadas pelo Ministério da Saúde, por meio do Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT), que privilegia a descentralização das medidas de controle para a atenção básica, ampliando o acesso da população.

O Governo Federal vai investir R$ 52 milhões para ampliar, em seis vezes, a produção nacional da vacina BCG contra a tuberculose. O Ministério da Saúde, que liderou a ação no âmbito do Programa de Investimentos no Complexo Industrial da Saúde (Procis), firmou convênio com a Fundação Ataulpho de Paiva (FAP) – Instituição produtora da vacina – que prevê a construção de nova planta industrial, em Xerém (RJ). Atualmente, o pólo industrial fica no centro do Rio de Janeiro e produz 10 milhões de doses por ano, sendo a maior parte para consumo interno.

O Brasil produz, internamente, 94% das vacinas fornecidas à população. Os laboratórios públicos produzem, ao todo, 21 vacinas atualmente. Em 2012, o Ministério da Saúde investirá mais de R$ 200 milhões na produção nacional de vacinas no Brasil, com as contrapartidas de R$ 100 milhões dos laboratórios públicos, serão investidos um total de R$ 300 milhões. Isto é cinco vezes mais do que foi aplicado nos últimos cinco anos (entre 2007 a 2011 foram R$ 60 milhões). Estas ações integram o Programa de Investimentos no Complexo Industrial da Saúde (Procis), lançado no início do ano pelo Ministério da Saúde.

Aqui na Câmara tivemos um amplo debate sobre o combate à doença, inclusive sobre a proibição de patentes para estes medicamentos do Brasil, na Comissão de Seguridade Social e Família, na qual sou titular.

Temos cerca de 16 milhões de brasileiros que sofrem hoje com as chamadas doenças negligenciadas, aquelas que não são objeto de pesquisa por parte da indústria farmacêutica, porque atingem parcelas da população de renda mais baixa, como a malária e a tuberculose. Temos que enfrentar esta realidade com mais investimentos públicos e também com participação da sociedade civil.

Além de aumentar os recursos, precisamos implantar estratégias mais integradas com programas como Saúde da Família e disponibilizar a dose fixa combinada de medicamentos, facilitando a adesão ao tratamento. A inclusão da tuberculose no Plano Brasil sem Miséria, um dos principais programas deste governo, foi um avanço que precisamos destacar.
Muito Obrigada".

segunda-feira, 25 de junho de 2012

Objetivos do Milênio 2015


Em visita à comunidade da Rocinha, na manhã desta sexta-feira, dia 22, o Ministro da Saúde, Dr. Alexandre Padilha anunciou que o Governo Federal vai investir R$ 52 milhões para ampliar, em seis vezes, a produção nacional da vacina BCG contra a tuberculose. O principal objetivo é exportar o insumo para o mercado global, além de continuar abastecendo a demanda interna. 

Para tanto, o Ministério da Saúde, que liderou a ação no âmbito do Programa de Investimentos no Complexo Industrial da Saúde (Procis), firmou convênio com a Fundação Ataulfo de Paiva (FAP), Instituição Filantrópica que, desde 1900, atua no enfrentamento à tuberculose no Brasil,  que prevê a construção de nova planta industrial, em Xerém (RJ). Atualmente, o Pólo Industrial fica no bairro de São Cristóvão - Rio de Janeiro e produz 10 milhões de doses por ano, sendo a maior parte para consumo interno. O país exporta apenas para o Haiti.

Com a nova planta industrial, a FAP terá capacidade de produzir 60 milhões de doses por ano, sendo que 60% deste quantitativo serão destinados à exportação da vacina. “Além de manter o abastecimento da vacina no Programa Nacional de Imunização, a exportação da vacina ajudará o mundo a combater a tuberculose e atingir uma das metas do milênio, que é reduzir os óbitos pela doença até 2015”, avaliou o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

A expectativa é que, no final de 2013, seja produzido o primeiro lote da vacina na nova planta industrial. Do total de recursos investidos (R$ 52 milhões), o Ministério da Saúde entrará com R$ 20 milhões, o BNDES com R$ 6 milhões e a FAP com outros R$ 26 milhões.

“A tuberculose é uma doença negligenciada prioritária na agenda da saúde global e o Brasil será protagonista no combate a esta patologia. O investimento na produção nacional de vacinas e medicamentos é uma das prioridades do governo federal e essencial para o avanço econômico e social do país”, afirmou Padilha. Nesta sexta-feira (22), o ministro apresentou a organismos internacionais o êxito brasileiro no enfrentamento à tuberculose, ao lado da diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margareth Chan, e do subsecretário Geral e Diretor-Executivo do Fundo de População das Nações Unidas, Babatunde Osotimehin.

No ano passado, o Brasil atingiu uma das metas dos Objetivos do Milênio, por ter reduzido pela metade os óbitos por tuberculose, comparado com o ano de 1990. A Organização Mundial da Saúde (OMS) reconheceu que a meta foi atingida cinco anos antes do previsto, esperada para 2015.

OBJETIVO DO MILÊNIO – Durante o evento na Rocinha, foram homenageadas oito instituições que contribuíram para o alcance do Objetivo do Milênio no Brasil. A tuberculose está contemplada no 6º objetivo intitulado: combater a Aids, a malária e outras doenças. A meta alcançada estipulava a reversão da incidência da tuberculose até 2015, em comparação com os casos registrados em 1990. A OMS reconheceu que a meta foi atingida cinco anos antes do previsto, já que o país apresentou uma redução em 50% da taxa de mortalidade e tendência de queda da taxa de incidência, na comparação de dados entre 1990 com 2011.

Após as falas do Ministro e das demais autoridades presentes, entre as quais a diretora-geral da Organização Mundial da Saúde (OMS), Margareth Chan, e do subsecretário Geral e Diretor-Executivo do Fundo de População das Nações Unidas, Babatunde Osotimehin, o Ministro prestou algumas homenagens à pessoas e Instituições que têm se destacado ao longo dos anos no desenvolvimento de ações de enfrentamento à tuberculose no Brasil, destacando-se o Psicólogo Carlos Basília (IBISS – Observatório Tuberculose Brasil), ativista vinculado ao Fórum de ONGs Tuberculose do Estado do Rio de  Janeiro e à Drª Margareth Dalcomo, pesquisadora do CRPHF; entregando aos dois uma placa de reconhecimento pela contribuição que tiveram no atingimento das Metas dos Objetivos do Milênio (ODM). 

Germano Gerhardt (FAP), Dr. Miguel Aiub (CRPHF), Carlos Basilia (IBISS), Dra. Hellen Miyamoto (Sub Secretaria - SES/RJ), Dra. Ana Alice (PCT SES/RJ) e Dra. Raquel Piller (PCT/SMS/RJ) 

O Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT), do Ministério da Saúde, é reconhecido como um dos mais eficientes no mundo. O PNCT privilegia a descentralização das medidas de controle para a Atenção Básica, ampliando o acesso da população em geral e das populações mais vulneráveis ou sob risco acrescido de contrair a tuberculose. O controle da doença é baseado na busca de casos, diagnóstico precoce e adequado, do tratamento até a cura com o objetivo de interromper a cadeia de transmissão e evitar possíveis adoecimentos.
Entre as ações desenvolvidas pelo Ministério da Saúde, no controle da doença, está a ampliação do orçamento das ações em 14 vezes, desde 2002. Naquele ano, os recursos foram de US$ 5,2 milhões, saltando para US$ 74 milhões em 2011. Além de aumentar os recursos, também foram implantadas estratégias mais integradas com programas como Saúde da Família e no Plano Brasil sem Miséria.

A VACINA – Indicada para prevenir as formas graves da tuberculose, a vacina BCG é aplicada nos menores de cinco anos e está disponível nas quase 35 mil salas de vacinação do Sistema Único de Saúde (SUS)

O Brasil utiliza esta vacina desde 1929, quando ainda era administrada por via oral. A intradérmica (apresentação atual disponibilizada na rede pública atualmente) começou a ser utilizada no país a partir de 1968. Em 1973, esta apresentação substituiu completamente a vacina BCG oral.

PRODUÇÃO NACIONAL –O Brasil produz nacionalmente 94% das vacinas fornecidas à população. Os laboratórios públicos produzem, ao todo, 21 vacinas atualmente. Em 2012, o Ministério da Saúde investirá mais de R$ 200 milhões na produção nacional de vacinas no Brasil, com as contrapartidas de R$ 100 milhões dos laboratórios públicos, serão investidos um total de R$ 300 milhões. É cinco vezes mais do que foi aplicado nos últimos cinco anos (entre 2007 a 2011 foram R$ 60 milhões). Estas ações integram o Programa de Investimentos no Complexo Industrial da Saúde (Procis), lançado no início do ano pelo Ministério da Saúde.

O programa prevê investimentos de R$ 2 bilhões até 2014 – R$ 1 bilhão do governo federal e R$ 1 bilhão em contrapartidas de governo estaduais para a produção nacional de vacinas, fármacos, medicamentos e equipamentos. Só em 2012, Ministério da Saúde vai disponibilizar R$ 270 milhões – o valor é cinco vezes maior do que a média de investimentos (R$ 42 milhões) nos últimos 12 anos. Entre 2000 e 2011, o investimento total do governo foi de R$ 512 milhões. Os recursos serão aplicados na infraestrutura e qualificação de mão-de-obra de 18 laboratórios públicos - em diferentes regiões do país - com o intuito de adotarem melhores práticas do mercado e adquirirem nível de qualidade internacional, o que é essencial para a capacitação tecnológica e competitividade do país. O Brasil exporta atualmente sete vacinas para 22 países, voltadas, predominantemente para doação e ajuda humanitária.


Por Bárbara Semerene, Rhaiana Rondon e Jorge Alexandre, da Agência Saúde