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quinta-feira, 5 de junho de 2014

Casa de Espetáculo recebe moradores de rua para café da manhã

Por Otávio Vasconcelos

A  APTU- Associação de Amparo aos pacientes com Tuberculose, que funciona no Município de Fortaleza realizou, na ultima quinta feira, 29 de maio, o café da manhã para os moradores de rua do centro de Fortaleza. O evento aconteceu no pátio do Teatro Carlos Câmara, gentilmente cedido pelo o diretor do teatro e ator cearense Fernando Piancó. 

A enfermeira Argina Gondim, que é funcionaria do Posto de Saúde Carlos Ribeiro e presidente da APTU, esteve à frente deste evento que é costumeiramente realizado na última quinta-feira de cada mês.

Atendendo ao convite de Argina, a RNP+/CE - Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS do Ceará - participou desta atividade por meio do compartilhamento de informações sobre a doença às pessoas que vivem situação de rua. 

As atividades começaram com um momento lúdico e descontraído, ao som de Bom Dia, de Zizi Possi, para saudar a chegada deste novo dia.  Enquanto isso, eu coordenei uma roda de apresentações e bom dias.

Após as devidas apresentações, Argina agradeceu a presença de todos, especialmente a de Fernando Piancó pelo espaço cedido.

Este, por sua vez, aproveitou a oportunidade e se colocou à disposição desse trabalho e de possíveis artistas que eventualmente possam estar vivenciando a realidade de sobreviver nas ruas próximo ao teatro na conhecida Praça da estação.  

Alguns participantes se apresentaram como artistas produtores de artesanato com materiais reciclados, e que essa arte os ajudam na sobrevivência. Em seguida, as estudantes de enfermagem da UFC – Universidade Federal do Ceará – fizeram uma pequena apresentação de forma clara e objetiva sobre os principais sintomas da tuberculose, diagnóstico e tratamento e se colocaram a disposição para quem quisesse conversar com elas, especialmente se houvesse alguém com alguns dos sintomas descritos, para maiores esclarecimentos.  

A palavra então foi passada para o Irmão Francisco, religioso e morador de rua que exerce uma espécie de liderança sobre essa população em nosso município. Em seguida foi ofertado a todos um farto café da manhã com cafezinho, leite, sucos, pães, bolos, torradinhas, salada de frutas, etc.

Enquanto merendavam, recitei de improviso alguns poemas para reflexão, buscando levantar a autoestima dos presentes. 

Como resultado da ação, foram colhidas quatro amostras de escarro para diagnóstico. As pessoas relataram os locais onde sempre estão, para o caso de algum dos testes apresentar resultado positivo para tuberculose.

Juntos, a enfermeira Argina e o Irmão Francisco localizariam a pessoa para iniciar o tratamento. 

Este não é um trabalho fácil de ser executado, uma vez que a maioria das pessoas fica no espaço apenas enquanto o lanche está sendo servido. Apesar disso, se a cada encontro um for sensibilizado para a causa ou identificado com tuberculose para que lhe seja ofertado o tratamento que lhe é de direito, será mais um a estar se cuidando e deixando de transmitir o velho e feroz bacilo. 

Participaram: pela a APTU - Argina Gondim, Fátima Gondim, e Samir Gondim; pela RNP+/CE - Otávio Vasconcelos, José Antonio e Credileuda Azevedo. Como convidados especiais, alunos de enfermagem da Universidade Federal do Ceará - Beatriz Batista, Nathaly Moraes e Antonio José Junior. 

Gostaria de agradecer ao diretor do teatro Fernando Piancó pela a disponibilidade do espaço, e principalmente, pelo convite a todos os presentes para após o café conhecerem o a parte interna da casa de espetáculo.

São pessoas com a sensibilidade do Sr. Fernando que precisamos para somar nesta luta contra a TUBERCULOSE!





segunda-feira, 13 de agosto de 2012

Programa de Controle da Tuberculose é destaque dentro do Sistema Prisional do Estado

SEJAP/MA

O Programa de Controle da Tuberculose da Penitenciária de Pedrinhas é destaque no sistema prisional do Maranhão. Hoje o programa atende todo o Complexo Penitenciário além do Centro de Custódia de Presos de Justiça do Anil (CCPJ/Anil) totalizando 2.705 internos.

Foram diagnosticados, através do programa, 211 casos de tuberculose pulmonar entre os presidiários, o que representa um percentual de 7,8% da população carcerária atendida.

Um convênio entre a Secretaria de Justiça e Administração Penitenciária (Sejap) e o Fundo Global em parceria com as Coordenações Municipal e Estadual de Controle da Tuberculose e ainda com o Comitê Metropolitano de Tuberculose e o laboratório Lacen disponibilizou aos internos os serviços de Raios-X do Tórax e a implantação do laboratório para realização das baciloscopias de escarro. Os serviços funcionam mo novo Núcleo de Atenção á Saúde da Penitenciária de Pedrinhas (prédio novo totalmente reformado).

Para os detentos diagnosticados com Tuberculose são disponibilizados medicações para tratamento que são fornecidos regularmente pela Secretaria de Estado da Saúde e ainda acompanhamento mensal pela médica do programa com o auxilio de duas enfermeiras, tudo isso sem a necessidade da retirada do interno para uma Unidade Básica de Saúde já que a Penitenciária conta com o Núcleo de saúde em suas dependências, além de uma ambulância 24 horas por dia.

Nos dois primeiros meses de funcionamento da sala de Raio-X do Núcleo de Saúde foram realizados 62 exames de Raio-x do Tórax dos Sintomáticos Respiratórios. De acordo com o resultado apresentado, sete mostraram imagem radiológica sugestiva de tuberculose, destes foram confirmados quatro e logo foi dado inicio ao tratamento.

O primeiro semestre de 2012 somou um total de 431 exames de escarro referentes as baciloscopias de 288 detentos das Penitenciária de pedrinhas, Casa de Detenção (CADET), Centro de Custódia de Presos de Justiça de Pedrinhas e do Anil, Penitenciária São Luís I e II, Centro de Detenção Provisória (CDP), Centro de Triagem, Penitenciária Feminina e do Quartel da Policia Militar. Ingressantes no sistema e os que mantêm contato com pacientes tuberculosos também passam por exames na instituição.

O Secretário de Justiça e Administração Penitenciária, Sergio Tamer, comemora o êxito do programa oferecido pela Sejap. “O novo aparato instrumental e humano ofertados pelo Programa de Controle da Tuberculose têm sido primordiais para o sucesso do projeto”, frisou.


quarta-feira, 8 de agosto de 2012

Em São Paulo, Oficina discute controle da tuberculose em ambientes prisionais


Nesta quarta-feira (8) está sendo realizada, em São Paulo, a Oficina Conselhos da Comunidade e TB: "Construindo Parcerias". Durante dois dias, conselheiros da comunidade de cada estado participante, técnicos do Programa Nacional de Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde(PNCT/MS), coordenadores de programas estaduais de tuberculose e coordenadores de estado de saúde prisional se reúnem para discutir formas de colaboração para o controle da tuberculose em ambientes prisionais. 

Na cerimônia de abertura, o coordenador adjunto do PNCT/MS, Fabio Moherdaui, apresentou panorama geral sobre a tuberculose no Brasil e no sistema prisional, do ponto de vista clínico e epidemiológico, para que os conselheiros da comunidade pudessem se apropriar deste conhecimento para a construção de um plano de trabalho conjunto ao final do evento.


A idéia é integrar saúde, justiça e mobilização social, para a implementação de ações para o controle da tuberculose entre a população privada de liberdade (PPL) dos estados participantes.

A oficina é uma realização do PNCT com apoio da área técnica de saúde prisional do Ministério da Saúde e da Ouvidoria do Sistema Penitenciaria, vinculada ao Departamento Penitenciário Nacional do Ministério da Justiça e se destina aos estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, Paraná, São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais, que são considerados prioritários em decorrência da alta incidência de tuberculose e contingente de pessoas privadas de liberdade.

Conselhos da Comunidade

O Conselho da Comunidade é um órgão do Poder Judiciário criado para efetivar a participação da sociedade, por meio de representantes de diversos segmentos, na execução das penas criminais, principalmente no que se refere às detenções e ao retorno ao convívio familiar e social do egresso (ex-detento).

Os conselhos têm como responsabilidade fiscalizar unidades prisionais e as condições de cumprimento de pena, relatando aos órgãos federais de justiça quaisquer irregularidades. Além disso, buscam parcerias com empresas e instituições para a promoção do trabalho e renda lícita, e desenvolvem atividades socioeducativas para incentivar o preso e egresso a retornar ao trabalho e aos estudos.

Oficina em Recife

A primeira edição da Oficina Conselhos da Comunidade e TB: “Construindo Parcerias” foi realizada em junho e contemplou os estados do Mato Grosso, Mato Grosso do Sul, Amazônia, Pernambuco, Bahia e Ceará, também prioritários em decorrência da alta incidência de tuberculose e contingente de pessoas privadas de liberdade.  O evento foi muito bem recebido pelos participantes, que agradeceram a oportunidade por meio de vários e-mails.


Acesse aqui para download dos materiais trabalhados durante a oficina! 

terça-feira, 31 de julho de 2012

Caminhada contra a tuberculose mobiliza Jardim Iracema


Compartilhar experiências, debater estratégias e desencadear ações para reduzir o abandono do tratamento são as metas da caminhada contra a tuberculose, que será promovida nesta quarta-feira (1º/08), pelo CSF Fernando Façanha em parceria com a Secretária Executiva Regional (SER) I e a Associação de Amparo aos Pacientes de Tuberculose.    

O evento ocorrerá das 8h30 às 11h, no bairro Jardim Iracema, com orientações sobre a doença, atendimento a pacientes sintomáticos e busca ativa de pacientes faltosos ao tratamento. Durante a ação, um carro de som prestará informações para a comunidade sobre a tuberculose.

A caminhada contará com um consultório móvel, onde médicos, enfermeiros e auxiliares de enfermagem prestarão atendimento. A atividade tem ainda parceria com o Distrito de Vigilância Epidemiológica da SER I e com o Ministério da Saúde.

Desde inicio de 2012, todas as unidades de saúde localizadas na área da Regional I realizam exames para detectar a tuberculose. A doença é transmitida pelo ar e pode atingir todos os órgãos do corpo, em especial os pulmões. O microorganismo causador da doença é o bacilo de Koch. Os sintomas são tosse crônica (cerca de 20 dias), febre, suor noturno, dor no tórax, perda de peso e falta de disposição.

SERVIÇO
Caminhada contra a tuberculose
Data: 1º de agosto
Horário: 8h30 às 11h
Local: CSF Fernando Façanha (Rua Tocantins, S/N - Jardim Iracema)


segunda-feira, 30 de julho de 2012

Bairro de Recife recebe ação para detectar sinais e sintomas de hanseníase e tuberculose

Do Diário de Pernambuco

A Secretaria de Saúde do Recife realiza hoje uma busca ativa para identificar pessoas que apresentem sinais e sintomas da hanseníase e tuberculose no Alto da Josélia, no bairro de Nova Descoberta. A ação integrada das coordenações municipais de controle da hanseníase e da tuberculose com o Distrito Sanitário III pretende abordar os moradores em suas casas, falando dos sinais e sintomas das doenças, formas de contaminação, importância do diagnóstico precoce, tratamento e cura. 

Os casos suspeitos serão encaminhados para exames de confirmação diagnóstica no serviço de saúde mais próximo da população, que é a Unidade de Saúde da Família (USF) Bruno Maia. Durante a ação, agentes de saúde comunitários, de saúde ambiental e controle de endemias (Asaces) e técnicos das duas áreas de interesse se revezarão no trabalho porta em porta. 

Até sexta-feira, 3, além da busca ativa, os profissionais entregarão panfletos explicativos, fichas de autoimagem (nos casos de hanseníase), e potes para coletar material para os suspeitos de tuberculose (escarro). Pela manhã serão realizadas palestras educativas na Associação dos Moradores.

Ainda na sexta-feira serão realizados os exames na sede Associação dos Moradores do Córrego da Josélia. Das 8h às 15h, um médico dermatologista e enfermeiros estarão realizando exames de pele e recebendo também os testes de escarro dos casos suspeitos.

terça-feira, 24 de julho de 2012


 Oficina para moradores de rua é realizada no Ceará

Aspectos gerais da tuberculose, mobilização social e coinfecção TB/HIV foram os principais temas abordados no evento.


A Rede Nacional de Pessoas Vivendo com HIV/AIDS do Núcleo do Ceará (RNP+/CE) em parceria com a Associação dos Portadores de Tuberculose de Fortaleza (ASSPT) e o Centro de População de Rua de Fortaleza (Centro POP), realizou nesta terça-feira, 24, oficina sobre tuberculose para moradores de rua atendidos no Centro Pop de Fortaleza. 

Aspectos gerais da doença, a importância do movimento social e questões sobre co-infecção TB/HIV foram os principais temas abordados durante a oficina que reuniu 60 participantes.

Na abertura, café da manhã e momento de boas-vindas animado, promovido pelo representante da RNP+/CE, Otávio de Vasconcelos, que mostrou vídeos, declamou poesias e tocou músicas ao vivo para animar os participantes. 

Segundo Otávio, essas ações foram articuladas pela RNP+/CE e pelo Comitê Metropolitano da Tuberculose com o objetivo de levar a informação sobre a doença às pessoas vivendo em situação de rua na cidade de Fortaleza. Além disso, contaram com o apoio de alguns enfermeiros da região que realizaram busca ativa de sintomáticos respiratórios entre os participantes. 

Após a abertura, a enfermeira presidente da Associação dos Portadores de Tuberculose do Município de Fortaleza, Argina Gondin, elencou os objetivos da oficina e explicou que durante a palestra aqueles que estivessem com os sintomas por ela explanados poderiam realizar exames de escarro.

Em seguida, o ponto focal da RNP+/CE, Toninho Alves relatou sua experiência como ativista e militante na luta contra a tuberculose no Ceará e aproveitou também para falar um pouco sobre coinfecção TB/HIV, destacando a importância das pessoas com HIV/aids realizarem o exame para saber se estão com tuberculose, visto que esta é a doença infecciosa que mais mata pessoas com HIV/aids no país.

Ao final do evento, foi realizada uma roda de conversa e consulta individual, sendo realizado exame de escarro quando necessário. 


quarta-feira, 11 de julho de 2012

MS realiza Capacitação em Manejo Clínico e TDO para os Profissionais de Saúde Indígena


Começou, nesta quarta-feira, em Brasília, Capacitação em Manejo Clínico e Tratamento Diretamente Observado (TDO) para os Profissionais de Saúde Indígena. Durante 3 dias, serão capacitados 68 profissionais dos 34 Distritos Sanitários Especiais Indígenas (DSEI) do país.

O evento é uma realização do Programa Nacional de Controle da Tuberculose (PNCT/MS), em parceria com a Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI) e tem como objetivo garantir que os profissionais de saúde indígena sejam capazes de suspeitar e diagnosticar clinicamente a tuberculose, solicitar os exames indicados e conduzir adequadamente o tratamento até a cura.

Participaram da cerimônia de abertura, a representante da Secretaria Especial de Saúde Indígena (SESAI), Cleocy Mendes, o representante da Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) Alfonso Gnecco e o coordenador do Programa Nacional de Controle da Tuberculose do Ministério da Saúde (PNCT/MS), Draurio Barreira.

Segundo Gnecco, a saúde dos povos indígenas é prioridade para a Organização Mundial de Saúde (OMS). Assim, parabenizou o PNCT pela articulação junto à SESAI para o controle da tuberculose entre povos indígenas. 

Draurio explicou que "gestão exige prioridade". Desta forma, as populações vulneráveis têm sido prioridade para o programa, visto que ao se trabalhar o controle da doença nessas populações, que englobam maior incidência, maior o impacto no controle da tuberculose no país. É o caso das populações indígenas, aqueles que vivem em situação de rua, em situação de pobreza extrema, os privados de liberdade (PPL), e os que vivem com HIV/AIDS. 

Em 2010 a taxa de incidência de tuberculose entre os povos indígenas foi de 95,5 por 100.000 habitantes. Um número três vezes maior se comparado à população geral.

Com o objetivo de fortalecer as ações de controle da tuberculose entre os povos indígenas foram priorizados 67 municípios, em todo o território nacional, que são responsáveis por 80% dos casos novos de tuberculose notificados entre os povos indígenas residentes em áreas rurais.

Draurio destacou a importância desta capacitação, visto que a saúde indígena possui particularidades muito específicas, principalmente no que diz respeito à atenção e ao acesso. “O objetivo desse curso é justamente qualificar a atenção básica e ampliar o acesso, melhorando o diagnóstico, o tratamento e a assistência”. Além disso, ressaltou que o programa está disponível para apoiar e articular capacitações como esta junto aos estados e municípios para responder às necessidades em nível local.

Teste rápido

O coordenador do PNCT atualizou os participantes sobre as novas propostas de diagnóstico e novos esquemas terapêuticos que estão sendo estudados, com destaque ao teste rápido para tuberculose (GeneXpert) que se encontra em fase de teste nos estado do Rio de Janeiro e do Amazonas. 

No entanto, ponderou que "a implantação de um novo teste de diagnóstico vem para agregar, e não para substituir os outros testes como a baciloscopia e a cultura. Afinal, é preciso analisar qual método funciona melhor em cada região".


quinta-feira, 21 de junho de 2012


Ceará teve 200 óbitos por tuberculose em 2011 e atendimento ainda é precário



Febre, emagrecimento, dores musculares e tosse com secreção. Esses são os sintomas de uma doença que, há mais de dois séculos, provoca estado debilitado e até a morte das pessoas em todo o mundo: a tuberculose. Ela é causada por uma bactéria, Mycobacterium tuberculosis, por meio do contágio e infecção. Ao tossir, espirrar ou falar, um doente de tuberculose pode transmitir a bactéria através da saliva ou gotícula para outro indivíduo. Em 2011, 200 pessoas morreram no Ceará por conta da tuberculose.

A tuberculose é considerada grave, mas, quando há tratamento adequado, é curável em praticamente 100% dos casos. Idosos, crianças com menos de quatro anos e portadores de doenças que atingem a imunidade são os mais propensos a desenvolverem a doença. Os tipos são: pulmonares e extras pulmonares. O mais comum é o que afeta os pulmões, chamado tuberculose pulmonar. Rins, órgãos genitais, intestino delgado e ossos também podem ser comprometidos.

Dados

Segundo a Coordenadora das Ações de Controle da Hanseníase da Célula de Vigilância Epidemiológica (CEVEPI), enfermeira Heloísa Gurgel, metade da população do Brasil é infectada pela tuberculose. Ela explica que há dois momentos introdutórios da doença: o primeiro é o contágio, que pode ou não vir a torna-se um problema, e o outro é a própria doença, que é causada por conta de outro fatores.

“O bacilo encontra um lugar bom para viver e se reproduzir com as seguintes características: ter pouca ou nenhuma iluminação, ser úmidos e com baixa ventilação”, alertou a enfermeira. Heloísa disse ainda que, por conta da falta higiene e infraestrutura, pessoas que moram com um doente que não está sendo bem tratado, presidiários ou moradores de rua chegam a ter 70% a mais de chance de desenvolver a doença. “Para você ter noção, a favela da Rocinha, no Rio de Janeiro, tem maior incidência de tuberculoso do mundo”, comentou.

Tratamento e mortalidade

Cerca de 5.500 brasileiros morrem por conta da infecção anualmente. No Ceará, a taxa é alarmante: são registrados cerca de 200 óbitos por ano. “Rio de Janeiro e Fortaleza são exemplos de que nos grande aglomerados é que a taxa de mortalidade é maior”, pontuou Heloísa.

A enfermeira Heloísa comentou que, no Ceará, o atendimento é realizado nos 92 postos de saúde do Fortaleza. O paciente faz um exame no posto e, caso seja confirmada a doença, o tratamento deve ser iniciado imediatamente. “Em qualquer lugar do Brasil, o tratamento para tuberculose é totalmente gratuito”, alertou.

O paciente só deve ser encaminhado ao hospital quando a doença encontra-se em estado mais grave. “O problema daqui [do Ceará] é que só existe dois leitos específicos para o atendimento do tuberculoso no Hospital da Messejana. Isso é insuficiente. É necessário mais hospitais com condições de atender, pessoas com doenças respiratórias”, disse.

O tratamento é realizado a base de antibióticos, com duração de cerca de seis meses. Na maioria dos casos, a internação no hospital não é necessária. Com o tratamento inadequado, o microorganismo pode se tornar mais resistente, sendo seu tratamento mais complexo e de custo elevado. Além disso, a forma de prevenção é por meio de vacina, como a BCG.

Aids

Com o surgimento da Aids, o quadro da tuberculose mudou. Por afetar principalmente o sistema imunológico do corpo humano, a doença respiratória tem mais probabilidade de causar sintomas mais graves na pessoa contagiada. A tuberculose é uma das principais causas da morte de portadores do vírus HIV.



Combate a aids e outros problemas de saúde estão no documento final da Rio+20


Da Agência Aids 

Dentre os mais de 200 artigos que integram o documento final da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, oito tratam especificamente sobre a saúde. O texto destaca, por exemplo, o combate a aids, tuberculose, gripe e doenças crônicas como diabetes e hipertensão, e afirma que é preciso redobrar esforços para alcançar o acesso universal à prevenção, tratamento, cuidados e apoio.

“As metas de desenvolvimento sustentável só podem ser alcançadas a partir da redução dessas doenças, propiciando às populações o bem-estar físico, mental e social”, afirma o material. 

Em outro artigo, os participantes da conferência reconhecem que a redução da poluição do ar, da água e do uso de produtos químicos pode gerar efeitos positivos na saúde.

O texto final traz ainda um apelo para que os países signatários colaborem para fortalecer os sistemas de saúde, aumentando o financiamento e a força de trabalho no setor. A distribuição de medicamentos seguros e a ampliação do acesso a vacinas e tecnologias médicas também são ações estratégicas descritas pelos representantes dos países. 

“As políticas públicas de saúde contribuem para que o ser humano esteja no centro da agenda do desenvolvimento de qualquer País. E ter um sistema público de saúde ultrapassa o direito individual de cada cidadão. Ele permite e obriga que a organização do meio ambiente e espaços urbanos coloquem a defesa da vida na regulação de cidades mais saudáveis”, avalia o ministro da Saúde, Alexandre Padilha.

Segundo Padilha, o Brasil contribuiu para uma grande experiência oferecendo saúde gratuita, integral e universal. “Isso tem impacto direto no desenvolvimento sustentável, pois gera uma mobilização entre o poder público em parceria com a sociedade civil para colocar a defesa da vida no planejamento e no esforço político nas decisões estratégicas”.

A Pasta informa que, desde a Conferência Rio 92, o Brasil expandiu o acesso da atenção primária à saúde, que saltou de uma cobertura de 3% em 1992 para aproximadamente 63% em 2012. “Não há dúvidas que o SUS contribuiu significativamente para a melhoria da qualidade de vida da população brasileira. Por isso, a Conferência Rio+20 é uma oportunidade para ampliar a agenda de compromissos também do setor saúde”, acredita Guilherme Franco Netto, diretor do departamento de Vigilância em Saúde Ambiental e Saúde do Trabalhador.


Ativistas que lutam contra aids e tuberculose fazem manifestação na Rio+20 para estimular controle social no País


Pedro Malavolta em especial para a Agência Aids 

Organizações não governamentais (ONG) que trabalham com questões ligadas à aids e à tuberculose aproveitaram a realização da Conferência das Nações Unidas para o Desenvolvimento Sustentável, a Rio+20, para chamar atenção sobre as dificuldade que a sociedade civil organizada brasileira está sofrendo. Nessa terça-feira, 19 de junho, cerca de 50 pessoas participaram de uma manifestação. Eles seguraram cartazes com frases com reivindicações como “A saúde brilha em genebra, mas a vulnerabilidade continua aqui”, distribuíram camisinhas e cantaram palavras de ordem como “não é mole não, controle social está em risco de extinção”. Os ativistas percorreram o espaço da Cúpula dos Povos, no Aterro do Flamengo, e depois seguiram até a Cinelândia no centro do Rio.

O ato faz parte das ações da campanha SOS ONGs Brasil, lançada em fevereiro deste ano, que pede uma rediscussão sobre o financiamento das entidades da sociedade civil que fazem o controle social das políticas de saúde, em especial no caso da aids e da tuberculose.

Nilo Geronimo Borgna, ativista soropositivo que estava na manifestação, denunciou as mudanças na política de isenção no transporte intermunicipal na região metropolitana do Rio. “Antes tínhamos passe livre no transporte intermunicipal, hoje estamos limitados a 10 passagens e às vezes precisamos usar essas passagens para transporte dentro do município também”, contou

Para Felipe de Carvalho, da Associação Brasileira Interdisciplinar de Aids (ABIA), problemas como o de Borgna exemplificam como “a falência de ONGs ligadas ao controle social causa uma precarização da resposta brasileira e local para a aids”.

Evolução das negociações com o governo

Renata Reis, também da Abia, acredita que a campanha SOS ONGs Brasil “quer garantir um debate amplo e claro sobre o financiamento das ONGs no Brasil.” Segundo ela, a falência das organizações da sociedade civil terá consequências para a maneira como é estruturado o tratamento e a prevenção as doenças sexualmente transmissíveis no País. “A resposta brasileira sempre foi considerada um exemplo porque juntava a atuação do poder público com a da sociedade civil”, explica.

Para Renata, é impossível para as ONGs viverem apenas com os editais de publicações, eventos ou projetos. “Não conseguimos garantir condições dignas de trabalho dessa maneira. E nós precisamos de dedicação para conseguir enfrentar aspectos da epidemia de aids hoje como a complexidade das respostas biomédicas, de comércio internacional e de patentes.”

Segundo Renata, para a Abia, a reunião realizada com o governo para discutir o problema ainda não provocou respostas satisfatórias. “Não dá para dizer que o ministério não respondeu, mas essa resposta ainda não resolve os problemas”, disse. “Precisamos de um financiamento emergencial para garantir a continuidades das ONGs que fazem controle social antes de iniciar o debate sobre financiamento”, finalizou.


quarta-feira, 20 de junho de 2012

Rio Largo realiza Curso de atualização sobre busca ativa e combate à tuberculose para médicos do PSF




Fonte: Alagoas 24h

Médicos da Estratégia de Saúde da Família (PSF) do município de Rio  Largo participaram, na manhã desta quarta-feira, de uma atualização sobre busca ativa, diagnóstico e tratamento de pessoas com tuberculose. A capacitação foi solicitada pela secretaria municipal de Saúde, por recomendação da prefeita Fátima Correia – que também é médica – em função da situação do município em relação à doença.

 Segundo dados apresentados por Ednalva Araújo, da vigilância epidemiológica estadual, o município de Rio Largo é considerado prioritário, por apresentar índices preocupantes em relação à doença, não só no que diz respeito ao número de casos, mas também nos índices de cura, que têm se apresentado abaixo do que é preconizado pelas organizações de saúde, que seriam de pelo menos 80%.

“Em Rio Largo tem ficado abaixo de 70%. Teve ano que registrou 55%. Isso acontece porque muita gente abandona o tratamento, antes de completar os 6 meses, que é o tempo necessário para acura”. Ela disse que o município tem apresentado uma média de 40 casos de tuberculose identificados por ano, e que para 2012 a meta seria identificar 55, porém, até agora – no meio do ano – apenas 19 foram detectados, o que pode ser um forte indício de subnotificação. “Isso não indica, necessariamente, que o número de casos diminuiu. Significa apenas que eles não estão sendo identificados como deveriam”, afirma ela.

Ednalva reforçou a necessidade de redobrar as atenções no acompanhamento e a importância de que os profissionais estejam sempre atualizados para fazer a busca ativa e o diagnóstico precoce, e também para esse acompanhamento durante o tratamento da doença. Ela destacou também a importância do empenho do gestor municipal para garantir o suporte do município, já que, segundo ela, 90% das ações relacionadas à tuberculose dependem da atenção básica.

“Todas as ações que estiveram ao alcance da nossa gestão, para promover a saúde da população, nós vamos fazer”, garantiu a prefeita Fátima Correia.


segunda-feira, 28 de maio de 2012


Fora do radar do governo, País tem 700 mil famílias em 'extrema pobreza'


Por ROLDÃO ARRUDA, estadao.com.br

Um ano atrás, o governo federal pôs em andamento uma operação para localizar os chamados miseráveis invisíveis do Brasil - aquelas famílias que, embora extremamente pobres, não estão sob o abrigo de programas sociais e de transferência de renda, como o Bolsa Família. Na época, baseado em dados do IBGE, o Ministério do Desenvolvimento Social estabeleceu como meta encontrar e cadastrar 800 mil famílias até 2013. Na semana passada, porém, chegou à mesa da ministra Tereza Campello, em Brasília, um número bem acima do esperado: só no primeiro ano de busca foram localizadas 700 mil famílias em situação de extrema pobreza e invisíveis.

Considerando apenas o chefe da família, isso corresponde à população de João Pessoa (PB). Se for levada em conta toda a família, com a média de quatro pessoas, é uma Salvador inteira que estava fora dos programas.

O resultado da operação, conhecida como busca ativa, também surpreende pelas características dessa população: 40% das famílias invisíveis estão em cidades com mais de 100 mil habitantes. Com o desdobramento e a análise das estatísticas, é provável que se constate que a maioria dos miseráveis invisíveis não estão nos grotões das regiões Norte e Nordeste, como quase sempre se imagina, mas na periferia dos centros urbanos.

'Estamos falando de famílias extremamente pobres que até agora não faziam parte do cadastro único do governo federal e por isso não eram vistas na sua integridade, de acordo com suas necessidades e carências', observa a ministra Tereza Campelo. 'Podiam ter filhos na escola, mas não tinham acesso ao básico dos programas sociais, como o Bolsa Família, a tarifa social de energia elétrica e outras ações.'

Para chegar a essas pessoas o ministério partiu do princípio de que, por algum motivo, elas não conseguiam chegar aos serviços de assistência social das prefeituras e pedir a inscrição no cadastro único. 'Era preciso sair dos escritórios. Mobilizamos prefeituras, agentes de saúde, empresas de distribuição de energia elétrica', conta Tereza. 'As prefeituras estão sendo remuneradas por esse trabalho.'

Acidentado. Em Franco da Rocha, na região metropolitana de São Paulo, a assistente social Marisa Lima foi uma dessas agentes mobilizadas para caçar os invisíveis. Em janeiro deste ano ela estava trabalhando na Unidade Básica de Saúde Municipal do Centro, na Avenida dos Coqueiros, quando apareceu por lá Raimundo Marques Ferreira, pintor de paredes, de 52 anos.

Buscava remédios e assistência médica, rotina que segue desde 2007 quando sofreu um acidente de trabalho. Caiu num fosso de elevador e teve os movimentos motores do lado esquerdo do corpo comprometidos. Como não era registrado e a empresa fechou as portas após o acidente, ficou sem nenhum tipo de cobertura. Os laudos médicos, que guarda presos com um elástico, indicam que também sofre com depressão e problemas neurológicos.

Separado, Ferreira mora com quatro filhos num cômodo de pouco mais de 30 metros quadrados, no fundo de um quintal, na Vila Zazu, bairro pobre de Franco da Rocha. É uma casa limpa, mas úmida e escura, erguida rente a um barranco ameaçador. Na época das chuvas, Ferreira sempre é visitado pela Defesa Civil, que insiste para que abandone o lugar. 'Sair para onde?', indaga. 'Aqui eu não pago aluguel.'

Não sabia como fazer. No centro de saúde, abordado pela assistente social, o pintor contou que 'já tinha ouvido falar' do Bolsa Família, mas não sabia se tinha direito, nem como se inscrever. Hoje recebe R$ 102 por mês, que usa sobretudo para pagar as contas de água e luz e comprar alguma comida. Dois de seus filhos, com 16 e 13 anos, foram inscritos no Ação Jovem, do governo estadual, que garante R$ 80 por mês, desde que frequentem a escola.

Agora a assistência social orienta Ferreira para que obtenha uma aposentadoria por invalidez, no valor de um salário mínimo, no INSS. Se conseguir, ele quer ampliar a casa onde mora e investir em cursos de informática para os filhos menores. Ele tem o olhar triste e fala em voz baixa, com modos tão humildes que dá a impressão de assustar-se com o mundo à sua volta.